Cultura melância

  1. 1.    Clima

A melancieira é uma planta de clima tropical, não tolerando fatores climáticos adversos, como geada e granizo. Os principais fatores climáticos que afetam o crescimento e a produção são temperatura, fotoperíodo (comprimento do período de luz solar), umidade relativa do ar e ventos. A melancieira desenvolve-se melhor na faixa de temperatura entre 25ºC e 30ºC. Temperaturas excessivamente elevadas (acima de 40ºC), bem como as baixas temperaturas, afetam o funcionamento dos órgãos internos da planta, paralisando o crescimento, a formação das flores, favorecendo a formação de frutos pequenos e deformados, com consequente queda na produção. Quanto ao fotoperíodo, a melancia exige dias longos e com boa luminosidade. Alta umidade relativa do ar favorece maior incidência de doenças e compromete a qualidade dos frutos.

  1. 2.    Irrigação

No cultivo de sequeiro, o ideal é que as precipitações pluviométricas sejam distribuídas de maneira uniforme ao longo do ciclo da melancieira. A ocorrência de veranicos, principalmente durante a fase de florescimento e frutificação, compromete seriamente a produção. Todavia, o excesso de precipitação prejudica a polinização, uma vez que os pingos fortes das chuvas sobre as flores provocam sua queda, além de dificultar a liberação e transporte de pólen pelos insetos. A qualidade dos frutos também é afetada, porque em função do excesso de água ocorre uma redução no conteúdo de açúcares, deixando os frutos sem sabor.

  1. 3.    Época de plantio

A análise dos elementos climáticos, principalmente temperatura e umidade relativa do ar, indicam que a Região Nordeste é a que apresenta as melhores condições climáticas para o cultivo da melancia durante o ano inteiro, em comparação com as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde o cultivo é recomendado apenas durante a primavera.

  1. 4.    Solo

Apesar de possuir baixa capacidade de retenção e armazenamento de água e nutrientes, os solos de textura leve são os mais indicados para o cultivo da melancia. Independentemente da textura, é importante que os solos apresentem boa drenagem, sejam profundos e sem camadas de compactação, a fim de permitir que o sistema radicular se desenvolva dequadamente.

  1. 5.    Preparo do solo

Faz-se uma aração profunda e gradagem leve, sem pulverizar em demasia o solo. Em áreas com camada de solo compactada, é importante fazer uma subsolagem antes da aração. Essas operações devem ser realizadas cerca de um a dois meses antes da semeadura, incorporando- se o calcário dolomítico, quando necessário. Após a gradagem, realiza-se a demarcação da área para a abertura das covas.

  1. 6.    Calagem e Adubação

O pH mais adequado à cultura fica entre 5,0 e 7,0. Em solos mais ácidos, a utilização da calagem é essencial. A cultura é exigente em cálcio, cuja deficiência causa nos frutos a podridão-apical ou estilar, popularmente conhecida como fundo-preto. A quantidade de calcário e de adubo a ser aplicada deve basear-se nos resultados da análise do solo. A aplicação de calcário se houver necessidade, deve ser feita com antecedência mínima de 30 dias do plantio. Aplica-se metade do calcário a lanço antes da aração e a outra metade, antes da gradagem. Isso permite melhor uniformidade de incorporação do calcário no perfil do solo.

Não sendo possível a análise do solo, recomenda-se como adubação mineral para a cultura da melancia 100 kg/ha de N (nitrogênio), 120 kg/ha de P2O5 (fósforo) e 120 kg/ha de K2O (potássio). Em termos de adubo por cova, isso representa as seguintes quantidades: sulfato de amônio: 300 g; superfosfato triplo: 160 g; cloreto de potássio: 120 g. As quantidades totais desses dois nutrientes devem ser parceladas em três aplicações, sendo a primeira no plantio e as outras duas, em cobertura, aos 25 e 40 dias após a germinação. O adubo orgânico também deve ser colocado na cova, principalmente em solos mais arenosos e pobres em matéria orgânica, na quantidade de 5 kg a 10 kg/cova de esterco de curral curtido ou 1 kg a 2 kg/cova de esterco de galinha, ou outra fonte facilmente disponível.

Os micronutrientes essenciais às plantas são: boro, cobre, ferro, manganês, molibdênio e zinco. Deve-se aplicar, principalmente em solos arenosos, de 15 a 20 kg/ha de FTE BR-12 (Cálcio (Ca): 7,1% Enxofre (S): 5,7% Boro (B): 1,8% Cobre (Cu): 0,8% Manganês (Mn):2,0% Molibdênio (Mo): 0,1%  Zinco (Zn): 9,0% e de 10 a 15 kg/ha de sulfato de zinco, por ocasião da adubação de plantio, o que representa, por cova, aproximadamente, 10 g de FTE BR-12 e 12 g de sulfato de zinco.

  1. 7.    Cultivares

Na escolha da cultivar para o plantio, deve-se levar em conta o tipo de fruto preferido pelo mercado consumidor, sua resistência ao transporte, à adaptação da cultivar a região e à tolerância às doenças e aos distúrbios fisiológicos.

Cultivares de origem japonesa: plantas que produzem frutos redondos,

destacando-se, nesse grupo, a Omaru Yamato.

Cultivares de origem americana: plantas que produzem frutos cilíndricos e redondos. Destacam-se, principalmente, a Charleston Gray, Fairfax e Crimson Sweet, além da Pérola e Congo. As duas últimas apresentam menor aceitação no mercado.

a) Omaru Yamato: fruto tem o formato quase esférico, com 25 cm a 40 cm de diâmetro, peso médio entre 8 kg e 10 kg, coloração externa verde-clara com riscas finas verde-escuras, polpa de coloração vermelho-intensa, muito rígida. Apresenta suscetibilidade à antracnose e à murcha de Fusarium. Os frutos apresentam boa resistência ao transporte.

b) Charleston Gray – Apresenta frutos de formato cilíndrico com extremidades arredondadas, com 41 cm a 56 cm de comprimento, 23 cm a 28 cm de diâmetro e peso médio de 9 kg a 15 kg. Externamente, possui coloração verde-clara, com listas finas verdeescuras, polpa vermelho-rosa, espessa e tenra. Apresenta resistência à antracnose, à murcha de Fusarium, à broca das cucurbitáceas e ao transporte. É, porém, suscetível à podridão-estilar, distúrbio fisiológico conhecido como fundo-preto e às viroses.

c) Fairfax – O aspecto da planta, a coloração e o tamanho dos frutos é semelhante à Charleston Gray, porém, de extremidades mais afiladas. A coloração externa é rajada com largas faixas longitudinais irregulares, de coloração verde-escura, alternadas com faixas verde-claras e a polpa é vermelha. Apresenta resistência à antracnose e à murcha de Fusarium. É suscetível à podridão-apical.

d) Crimson Sweet – Atualmente é uma das cultivares mais plantada no Brasil, do Nordeste ao Sul do País. Apresenta frutos grandes, redondos, com peso médio entre 11 kg e 14 kg e boa resistência ao transporte, em função da firmeza da casca. Apresenta casca rajada, com largas faixas longitudinais verde-escuras e verde-claras alternadas. Destaca-se pela excelente qualidade da polpa, de sabor muito doce. Apresenta resistência à antracnose, à murcha de Fusarium e baixa incidência de podridão-apical.

e) Tiffani – Planta de crescimento vigoroso, frutificação uniforme e tolerante ao estresse hídrico. Frutos com peso médio de 6 kg a 12 kg, casca de coloração brilhante, com estrias verde-escuras sobre um fundo verde médio. Fruto de formato redondo, casca espessa e resistente ao transporte. Polpa de coloração vermelho-intensa e muito doce. Grande capacidade de conservação pós-colheita.

f) Jetstream – Planta de crescimento vigoroso, tolerante ao estresse hídrico e frutificação uniforme. Frutos grandes com peso médio de 13 kg a 14 kg, redondos, listrados com maior contraste entre as estrias verde escuro e o fundo verde-claro, bastante uniformes e com poucas sementes. Polpa de coloração vermelha, bastante atraente, textura crocante, excelente sabor, com elevado conteúdo de açúcar. Casca espessa, conferindo ao fruto excelente resistência ao transporte.

g) Mirage – Planta de alto potencial produtivo e crescimento vigoroso. Frutos de formato cilíndrico, com listras verde escuro, com peso médio de 16 kg a 17 kg, polpa de excelente sabor, de cor vermelho intenso, crocante e doce. Possui casca resistente e elevada resistência ao transporte.

h) Starbrite – Planta resistente à murcha de Fusarium e à antracnose. Frutos de formato cilíndrico, com extremidades quadradas (não despontadas), rendendo mais fatias por fruto. Polpa de coloração vermelha e uniforme, de refinada textura e muito doce. Casca de coloração verde brilhante, com estrias verde-escuro sobre fundo verde claro. Muito resistente ao transporte.

i) Madera – Planta de ramas muito vigorosas. Apresenta resistência à murcha de Fusarium e à antracnose. Frutos com peso médio entre 13 kg e 14 kg. Possuem ótimo sabor, alto teor de açúcar e boa resistência ao transporte.

  1. 8.    Plantio

O plantio é feito o ano todo, nas regiões mais quentes, ou de agosto a novembro, em clima frio. A propagação é feita por sementes, colocando-se três a quatro unidades em covas de cinco centímetros de profundidade.  Colocar 3 a 4 sementes/cova, bem separadas, cobrindo-as com 1,5 a 2 cm de terra. O desbaste deve ser feito entre l0 e 15 dias após a germinação, deixando-se 1 a 2 plantas/cova.

O método mais utilizado é o plantio direto na cova ou no sulco. As dimensões da cova podem ser de 30 cm x 30 cm x 30 cm, o que possibilita boa incorporação da adubação orgânica e química. Ou 2,5 a 3 x 2 a 3 m. São necessário 500 a 800 g/há sementes.

Na abertura das covas é importante separar a terra dos primeiros 15 cm, misturar o esterco e os adubos químicos, na quantidade indicada. Após efetuar a mistura, coloca-se este material no fundo da cova e, sobre este, a parte retirada originalmente do fundo, até completar o enchimento das covas, promovendo assim, uma inversão nas camadas Feito isso, semeiam-se de três a quatro sementes, distanciadas entre si, no centro da cova, a uma profundidade de 2 cm a 3 cm.

No plantio em sulcos, mais utilizado quando se emprega a irrigação por gotejamento, a adubação orgânica é dispensada, sendo a adubação química de fundação distribuída por metro linear de sulco, conforme recomendação do boletim de análise de solo.

A utilização de espaçamentos maiores tende a favorecer maior peso dos frutos e um menor número de frutos por planta. Efeito contrário é observado em espaçamentos menores.

Cultivares como Charleston Gray e Fairfax, que possuem ramas maiores, exigem espaçamento de 2 m a 3 m entre fileiras por 1,5 m a 2 m entre  covas. As cultivares japonesas, de ramas menores e de menor desenvolvimento vegetativo, podem ser plantadas em espaçamento de 2 m x 1,5 m. Um grama de sementes dessas cultivares contém de 20 a 24 semen-tes, o que significa 800 g de sementes para o plantio de 1 ha. O plantio das cultivares americanas, com 10 a 15 sementes por grama, requer 1 kg de sementes por hectare.

Logo após a germinação, é preciso fazer uma inspeção no campo, a fim de verificar a quantidade de covas falhadas e fazer o replantio. Este deve ser feito com mudas produzidas em copinhos ou bandejas de isopor, com a mesma idade das plantas que germinaram nas covas, a fim de proporcionar melhor uniformidade da cultura.

  1. 9.    Tratos Culturais

Desbaste de plantas – O objetivo é eliminar o excesso de plantas na cova, obtendo-se, dessa forma, uma população ideal na área de cultivo. O excesso de plantas ocorre quando há uma adequada germinação das sementes utilizadas por ocasião do plantio. Deve ser feito quando as plantas apresentarem de 3 a 4 folhas definitivas, eliminando-se as mais fracas e deixando duas plantas por cova. Recomenda-se o corte das plantas ao invés do arranquio para que o sistema radicular das plantas que permanecem na cova não seja danificado. Aproveita-se essa ocasião para fazer o controle manual das ervas daninhas e o replantio das covas, onde as sementes não germinaram adequadamente.

Controle de ervas daninhas – Consiste em manter a cultura livre de plantas invasoras, que competem por água, luz e nutrientes, reduzindo a produtividade de frutos. Deve ser realizada com bastante cuidado para evitar danos ao sistema radicular superficial e às ramas. Essa prática deve ser evitada quando as plantas estiverem bem desenvolvidas, pois a melancieira é muito prejudicada pela movimentação excessiva de suas ramas. O controle químico é pouco utilizado em razão da falta de produtos registrados para a cultura.

Condução das ramas – É realizada com o objetivo de deixar carreadores para a movimentação de pessoas, máquinas e equipamentos, sem danificá-las. Para tanto, as ramas devem ser conduzidas para fora do carreador. Essa operação facilita as capinas, pulverizações, adubação de cobertura e colheita. No entanto, recomendasse não efetuá-la após o início da floração e frutificação.

Desbaste de frutos – É feito quando os frutos atingem cerca de 10 cm de diâmetro, deixando-se de 2 a 3 frutos por planta ou de 4 a 6 frutos por cova. O objetivo dessa prática é melhorar a qualidade dos frutos, aumentando o peso médio e a porcentagem de frutos comercializáveis. Por isso, é recomendável que o produtor atente para o peso do fruto preferencial do mercado consumidor. É uma prática que requer intensa mão-de-obra. É, porém, de fácil execução tanto em pequenas como em grandes áreas de produção desde que, nestas últimas, o produtor adote o cultivo escalonado. Eliminam-se, de preferência, os frutos deformados, defeituosos, com anomalias fisiológicas e os tardios. Recomenda-se, ainda, a retirada da área de produção de todos os frutos eliminados.

Irrigação – Indispensável para a obtenção de elevada produtividade de frutos. É prática vantajosa que assegura, de um lado, a obtenção de frutos de melhor qualidade em qualquer época do ano e, de outro, a oferta de frutos no momento em que o preço de mercado é mais atrativo. A exigência de água varia de 3 a 4 milhões de litros/hectare durante o ciclo da cultura. Isso representa, em média, aproximadamente, 15 a 20 litros/planta/dia. O excesso de água pode provocar rachaduras na casca dos frutos e redução do teor de açúcares, tornando os frutos insípidos (aguados). O método de irrigação a ser utilizado depende das condições do solo, clima, topografia, suprimento hídrico disponível e nível tecnológico do produtor. Tradicionalmente, têm-se utilizado os métodos de irrigação por sulcos, por aspersão e por gotejadores. Em qualquer dos métodos adotados, o manejo da irrigação (quando e quanto irrigar) poderá ser efetuado com a utilização de instrumentos simples como os tensiômetros, que expressam de forma indireta a quantidade atual de água no solo; os tanques evaporimétricos como o tanque “Classe A”, cujas medições relacionadas com as características de crescimento das plantas possibilitam a determinação da demanda de evapotranspiração da cultura, permitindo o cálculo da lâmina de irrigação a ser aplicada, além de outros equipamentos mais sofisticados, cuja utilização e precisão de suas informações dependem do grau de eficiência exigido no controle das irrigações. Recomenda a aplicação de lâminas de irrigação diferenciadas, com base na evaporação do tanque Classe A (ECA), aliado a boas práticas de manejo da cultura, a saber: do plantio a floração – 0,40 ECA; da floração a frutificação – 0,60 ECA e da maturação até a colheita – 0,40 ECA.

  1. 10.  Doenças

Produtos registrados para controle: fungicidas: benomyl, captan, chlorothalonil, chlorothalonil + oxicloreto de cobre, enxofre, fenarimol, folpet, oxicloreto de cobre, oxicloreto de cobre + mancozeb, prochloraz, pyrazophos, quinomethionate, thiophanate methyl e thiophanate methyl + chlorothalonil.

As principais doenças e seu controle são:

Tombamento ou damping-off – Doença causada pelos fungos Fusarium, Pythium, Phytophthora ou Rhyzoctonia, caracteriza-se, geralmente, por pequena lesão situada na região do colo das plantinhas novas (zona intermediária entre as raízes e o caule da planta), que induz o tombamento e morte da planta, logo após a germinação. A doença é favorecida pelo excesso de água na cova de plantio (Pythium e Phytophthora) e também pela semeadura em solos contaminados. Preventivamente, o controle é feito por meio do manejo correto do solo, evitando encharcamento, plantios repetidos com melancia na mesma área e fazendo adubação equilibrada. Em ataques intensos, o controle curativo deve ser feito com fungicidas.

Antracnose – Doença causada pelo fungo Colletotrichum lagenarium, que ataca folhas e frutos. Nas folhas, aparecem pequenas manchas angulares que mais tarde tornam-se arredondadas. No início, as lesões apresentam coloração castanho clara, tornando-se pretas, mais tarde. Com o tempo, elas se juntam provocando “queima” generalizada e até a queda prematura das folhas atacadas. Nos frutos, a doença pode provocar má-formação ou queda. Nas melancias grandes, provoca apodrecimento das partes atacadas, que começa como manchas circulares ou ovaladas, profundas, com bordos elevados e coloração pardo-escura. Em tempo úmido, a parte de cima das lesões fica coberta por uma lanugem branca. Os frutos atacados ficam imprestáveis para a comercialização. O controle é feito preventivamente com o uso de sementes certificadas, tratamento das sementes e escolha do momento de plantio que não deve ser nem muito quente nem muito úmido. Quando sob ataques muito severos e não muito próximo da colheita, pode-se recorrer a fungicidas, que controlam a doença de forma eficaz.

Oídio – Doença causada pelo fungo Erysiphe cichoracearum, ocorre severamente nas condições de clima seco e baixa temperatura. A doença é facilmente reconhecida por apresentar sobre as folhas e ramos um mofo branco tipo “pó de giz”. O controle é feito plantando a melancia em épocas que não coincidam com baixas temperaturas e umidade, usando cultivares resistentes e, quando sob ataques intensos, com o uso de fungicidas.

Crestamento-gomoso-do-caule – Doença causada pelo fungo Didymella brioniae. É reconhecida pela presença de goma sobre as lesões que ocorrem no colo, caule e hastes próximas ao solo. Estas últimas, quando novas, tombam e morrem. Nos frutos, formam-se manchas que também produzem goma. Nas folhas, as lesões são circulares e tendem a se unir dando um aspecto de queima. Quando a lesão no caule é profunda, ocorre fendilhamento e exposição do lenho e a planta pode murchar. O controle da doença é feito de forma preventiva, queimando os restos de cultura, fazendo rotação cultural com plantas de outras famílias, pelo uso de sementes certificadas e tratadas adequadamente.

Míldio – Doença própria das folhas, que provoca crestamento ou queima, dependendo da quantidade das lesões, e até queda prematura, com grande comprometimento da produção. É causada pelo fungo Pseudoperonospora cubensis que requer clima bastante úmido e temperaturas amenas. A doença tem início na forma de pequenas manchas encharcadas, que evoluem para secamento e morte dos tecidos, quando se distinguem lesões de cor pardo-avermelhadas e de formato poligonal, delimitadas pelas nervuras. Na face inferior das folhas aparece um mofo branco encobrindo as lesões. O controle é feito, preventivamente, evitando o plantio em baixadas úmidas, mal ventiladas e sujeitas à neblina. Quando as condições são propícias e o ataque tornasse intenso, torna-se necessário o emprego de fungicidas.

Murcha-de-Fusarium Doença das raízes, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. niveum. Ataca os vasos lenhosos, a partir das raízes, provocando murcha generalizada e morte rápida das plantas que, muitas vezes, não produzem nenhum fruto. Fazendo-se um corte longitudinal da raiz pivotante, do colo e da base do caule, percebe-se a presença de estrias avermelhadas no feixe vascular entre a parte externa e a medula, denunciando o ataque do fungo nessa região. O controle é feito pela eliminação das plantas que apresentarem os primeiros sintomas da doença. A calagem prévia, de forma a elevar o pH para 6,5 a 7,0 e a adubação orgânica com esterco bem curtido aplicado na cova, antes do plantio, representam boas medidas de controle.

Galhas-das-raízes: Doença causada por nematóides pertencentes ao gênero Meloidogyne. As plantas atacadas têm o crescimento retardado, amarelecimento das folhas e queda de flores. Entretanto, o sintoma mais visível é a presença de galhas ou tumores nas raízes, facilmente perceptíveis ao se arrancar a planta atacada. O controle é feito por meio do alqueive ou repouso da área infestada, deixando-a livre de vegetação por uns 6 meses. Outras medidas auxiliares são: o revolvimento do solo após a colheita, promovendo a rotação de culturas com gramíneas forrageiras e estabelecendo cultivo intercalar com Crotalaria spectabilis, semeando essa espécie após o cultivo das gramíneas forrageiras e antes do novo plantio de melancia.

Podridão-aquosa – Doença causada pela bactéria Acidovorax avenae subsp. citrulli. A doença pode se manifestar em qualquer fase do ciclo da cultura, atacando as folhas, ramos e frutos. Os sintomas mais típicos da doença se manifestam nos frutos, onde são observadas manchas aquosas, de cor verde-oliva, as quais se aprofundam para o interior dos mesmos, causando podridão interna. Com o progresso da doença, a superfície dos frutos apresenta intensas rachaduras. O controle da doença é conseguido pelo emprego de sementes sadias e pelo cultivo em períodos de baixa umidade. Deve ser evitada a irrigação por aspersão, por favorecer o desenvolvimento da doença.

  1. 11.  Pragas

Produtos registrados para controle: inseticidas químicos: abamectin, azinphos ethyl, carbaryl, cartap, deltamethrine, diafenturion, dichlorvos, dimethoate, disulfoton, ethion, fenitrothion, fenthion, phorate, malathion, monocrotophos, naled, parathion methyl, pyrazophos, trichlorfon e vamidothion; inseticida biológico: Bacillus thuringiensis; acaricidas: abamectin, azinphos ethyl, diafenturion, dimethoate, disulfoton, enxofre, ethion, fenthion, monocrotophos, naled, parathion methyl, quinomethionate e vamidothion; nematicida: disulfoton.

a) Pragas subterrâneas:

– Lagarta-rosca, Agrotis ípsilon) – Ataca as plantas na região do colo, seccionando-as. Permanece enterrada próximo às plantas atacadas durante o dia e, à noite, sai para se alimentar, atacando outras plantas. Aquelas totalmente seccionadas tombam e murcham rapidamente. As mais desenvolvidas, quando atacadas pela lagarta, conseguem se recuperar, em parte, mas a produção é afetada. As plantas mais visadas pela lagarta-rosca são as que acabam de germinar. Alguns dias após a germinação, o caule começa a ficar mais lenhoso oferecendo resistência ao ataque da praga.  Quando completamente desenvolvida, a lagarta mede em torno de 45 mm, tem coloração marrom-acinzentada, robusta, com tubérculos pretos em cada segmento. O adulto é uma mariposa com 40 mm de envergadura, asa anterior de coloração marron e posterior, branca-hialina, e bordo lateral acinzentado. O controle da lagarta-rosca pode ser realizado com a aplicação do inseticida no colo da planta e no solo, em volta da mesma.

Paquinhas, Neocurtilla hexadactyla e Scapteriscus acletus – As duas espécies são bastante semelhantes, os adultos têm coloração pardo-escura e medem aproximadamente de 30 mm a 25 mm de comprimento, respectivamente. São insetos de hábitos noturno, as fêmeas fazem posturas em galerias abertas, próximo à superfície do solo, quase sempre aderentes às raízes das plantas. Ninfas e adultos alimentam-se de raízes. As plantas que acabaram de emergir, por serem tenras, são as mais prejudicadas em virtude do sistema radicular pouco desenvolvido. As plantas mais desenvolvidas, com sistema radicular mais resistente, suportam melhor os ataques dessas pragas. Os maiores estragos ocorrem quando o solo apresentasse úmido. Em grandes áreas de plantio, com ocorrência freqüente de paquinha, seu controle deve ser feito por meio de pulverizações de inseticidas, dirigidas para o colo das plantas. Em pequenas áreas, a seguinte fórmula para utilização como isca pode ser utilizada (Triclorfon 80……………….100 / Sal de cozinha…………………4 g / Esterco de curral ……………80 kg). Para a preparação da isca, dilui-se o inseticida e o sal em quantidade de água suficiente para umedecer o esterco, que deve ser mantido esfarelado e, depois, distribuído em montículos pela área.

b) Pragas da parte aérea (folhas, ramos e flores):

– Vaquinha verde-amarela, Diabrotica speciosa – Os adultos são besouros arredondados de coloração verde, com seis manchas amarelas arredondadas no dorso, medindo cerca de 6 mm de comprimento e 4 mm de largura. As fêmeas põem cerca de 420 ovos, isoladamente, de coloração branco-amarelada, no solo ou na planta. Depois de sete dias, aproximadamente, as larvas eclodem e passam a se alimentar das raízes. Quando completamente desenvolvidas, elas podem atingir 10 mm de comprimento, são brancas, a cabeça marrom e o corpo alongado. O ataque dessas larvas reduz o número de raízes das plantas, podendo seus danos ser confundidos com os causados por outros insetos subterrâneos. Ao se inspecionar a planta no campo, deve-se observar também o solo próximo às raízes, a fim de verificar a presença ou não de larvas de outros insetos. Os adultos alimentam-se das folhas mais novas e das flores. Os danos nesses órgãos são considerados de relevância porque as folhas novas têm maior atividade fotossintética e as flores, órgãos reprodutivos da planta, podem abortar quando atacadas, prejudicando assim a produção de frutos. A ocorrência de larvas de D. speciosa em lavouras de melancia é esporádica, não sendo, portanto, necessário aplicações preventivas de inseticidas. Por outro lado, é uma praga em potencial, podendo seus danos atingir níveis econômicos a qualquer momento merecendo, dessa forma, uma vigilância constante. O controle dos adultos pode ser feito com pulverizações de inseticidas nas folhas, dirigindo o jato principalmente para as pontas dos ramos, onde se encontram as folhas mais novas, preferidas pela praga.

Pulgões, Aphis gossypii  – Insetos pequenos, com cerca de 1,5 mm de comprimento, de coloração variando do amarelo-claro ao verde-escuro. Vivem em colônias, sob as folhas e brotos novos. Em nossas condições, só existem pulgões fêmeas, que se reproduzem parte no geneticamente (sem precisar de macho para a reprodução), dando origem somente a fêmeas. No início da formação das colônias, a reprodução é somente de indivíduos ápteros (sem asas). Com o aumento da população, aparecem os indivíduos alados, também fêmeas, responsáveis pela disseminação da espécie. Os pulgões se alimentam sugando a seiva das plantas, injetando toxinas e transmitindo viroses. No caso da melancia, transmite o vírus-do-mosaico-da-melancia (PRSV-W) (Fig. 11 – capítulo Doenças). A ação de sucção dos pulgões provoca o encarquilhamento das folhas, ou seja, seus bordos voltam-se para baixo, e a deformação dos brotos. Por um orifício localizado no final do abdômen, chamado sifúnculo, esses insetos eliminam grandes quantidades de um líquido adocicado do qual se alimentam as formigas que, em contrapartida, os protegem dos inimigos naturais. Essa substância adocicada serve também de substrato para o desenvolvimento de um fungo denominado comumente de “fumagina”, de coloração escura e pode cobrir totalmente a superfície foliar da planta, prejudicando a fotossíntese e a respiração. Com o decorrer do tempo e com o aumento da população de pulgões, as plantas atacadas tornam-se debilitadas em virtude da grande quantidade de seiva retirada e de toxinas injetadas. Entretanto, por serem transmissores de vírus, é que esses insetos constituem-se em uma das pragas mais sérias da cultura merecendo, por isso, especial atenção. Para a contaminação da planta por um vírus nem é preciso a instalação de colônia de pulgões, basta a picada de um inseto contaminado. Por isso, é importante o controle preventivo com o uso de um produto que tenha ação de contato (elimina o inseto quando este entra em contato com a substância tóxica), pois esta ação possibilita a eliminação do inseto antes da picada de prova, que seria suficiente para a transmissão do vírus. No início do ciclo da cultura pode-se utilizar um inseticida de efeito residual longo, e outro de efeito residual mais curto, quando estiver próximo da colheita.

Broca-das-cucurbitáceas, Diaphania nitidalis e Diaphania hyalinata – Os adultos das duas espécies são de tamanho semelhante, com aproximadamente 30 mm de envergadura e 15 mm de comprimento. D. nitidalis tem asas de coloração marrom-violáceo com a área central amarelada semitransparente e os bordos marron-violáceos com várias reentrâncias. A área central semitransparente das asas de D. hyalinata é de coloração branca e a faixa escura dos bordos é mais retilínea. As lagartas completamente desenvolvidas atingem 20 mm de comprimento e são de coloração esverdeada. Ambas as espécies têm um período larval de aproximadamente 10 dias, passam por um período pupal de 12 a 14 dias no solo ou nas folhas, com ciclo total de 25 a 30 dias. As duas espécies atacam folhas, ramos, brotos e frutos. A D. nitidalis, porém, tem preferência pelos frutos, atacando-os em qualquer idade. Os brotos e os ramos atacados tornam-se secos. No interior dos frutos, as larvas abrem galerias à medida que vão se alimentando da polpa, que também é atacada por outros microrganismos e artrópodes que penetram pelos orifícios abertos pelas brocas. O controle de D. hyalinata torna-se mais fácil pelo fato dessa praga atacar com mais frequência as folhas, ficando assim mais exposta à ação dos inimigos naturais e aos inseticidas. A D. nitidalis, que ataca de preferência os frutos, penetrando em seu interior, fica mais protegida das ações de controle. Por essa razão, a identificação correta das espécies é de fundamental importância para que se possa escolher uma medida eficaz de controle. O uso de plantas iscas, como o de abobrinhas intercaladas com as de melancia, pulverizando-se apenas as plantas iscas, é uma prática recomendável para a diminuição da população dessas pragas.

Mosca-branca, Bemisia tabaci biótipo B – Pequeno inseto de coloração branca medindo cerca de 1 a 2 mm de comprimento semelhante a uma mosca, embora não pertença a esta ordem e sim a ordem Hemíptera, povoa a face inferior das folhas, onde se alimenta e se reproduz. Ao se alimentar da seiva da planta injeta toxinas, causando o depauperamento geral e queda na produção das plantas. Suas fezes adocicadas, assim como no ataque dos pulgões, são substratos para o desenvolvimento de fungos denominados de fumagina que prejudicam a fotossíntese e respiração das plantas. A mosca-branca é um inseto de difícil controle, a aplicação contínua de inseticidas químicos induz com muita rapidez o surgimento de populações resistentes. Produtos à base de Azadiractina provenientes do nim ou o próprio extrato de sementes têm sido usados para o controle desse inseto.

12. Colheita

A colheita deve ser feita quando os frutos atingirem o ponto de maturação, que pode ser identificado de várias maneiras:

a) secamento da gavinha mais próxima do fruto;

b) secamento do próprio pedúnculo;

c) coloração da parte inferior do fruto apoiada ao solo, que passa de branca a amarelada, e,

d) medição do conteúdo de açúcares dos frutos (°Brix), usando-se um refratômetro manual, sendo que o ponto de colheita é atingido quando a leitura for igual ou superior a 10 °Brix. De maneira geral, o período entre a fecundação da flor e o ponto de colheita é de aproximadamente 40 dias para as cultivares mais precoces e de 45 dias, para as mais tardias.

Em algumas regiões do Nordeste brasileiro, esse período pode ser encurtado para 35 dias. Do plantio até a colheita, o período varia de 65 dias, para as cultivares mais precoces, de 85 dias, para as mais tardias. Em determinadas regiões do Nordeste brasileiro, a colheita pode ser feita a partir dos 55 dias do plantio. A produtividade de frutos comercializáveis depende de vários fatores, principalmente da cultivar, da irrigação, da adubação e das condições ambientais. O ciclo, que vai do plantio à colheita, varia de 85 a 120 dias.

Em geral, o ponto de colheita ‚ atingido após 40 a 45 dias da abertura da flor. Outros indícios são: o secamento da gavinha, localizada no mesmo do fruto: secamento do pedúnculo; alteração da cor da mancha de encosto de branca para amarelo-claro; som oco; e resistência em pressão pela unha.

Produtividade normal: 30 a 50 Ha.

Rotação: evitar outras cucurbitáceas.

Observação: durante o florescimento, não aplicar inseticidas no período da manhã, evitando eliminar os insetos polinizadores, principalmente as abelhas.

Fonte: Embrapa, 2007 , Coleção Plantar, 57.

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7 Comentários (+adicionar seu?)

  1. eliade lopes brito
    abr 04, 2014 @ 15:38:01

    gostei bastante aprendi alguma coisa obrigada

    Responder

  2. andersom
    nov 14, 2013 @ 22:10:32

    oi eu plantei cem mil pes de melancia, e ela começa a secar as folhas nos pes.
    o que devo passar para isso nao acontecer. obrigado pela atençao.

    Responder

  3. LUIZ
    jul 17, 2013 @ 14:19:23

    PRECISAMOS MUITO DE ESPLICAÇÃES COMO ESTA , PARABENS

    Responder

  4. Tiago
    maio 25, 2013 @ 18:22:46

    Obrigado pela partilha de conhecimentos, gostei muito deste tópico.
    Fala um pouco de tudo e é muito explicito.
    Boa continuação.

    Responder

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