Manejo da água de irrigação

Para o manejo da água de irrigação, é necessário o controle diário da umidade do solo e/ou da evapotranspiração, durante todo o ciclo de desenvolvimento da cultura. Para tanto, é indispensável o conhecimento de parâmetros relacionados às plantas, ao solo e ao clima, para determinar o momento oportuno de irrigar e a quantidade de água a ser aplicada. Tendo sempre o uso racional da água de irrigação e da energia, para poder ter maximizar o lucro.

A disponibilidade de água no solo é ter o conhecimento de qual textura (solo) para poder ter o conhecimento da capacidade de armazenamento de água, podendo dizer que solos de textura arenosa apresentam menor capacidade de retenção de água do que solos argilosos. Com esse conhecimento do solo, a irrigação terá um maior controle, sempre visando manter o solo na capacidade de campo, ou seja, é a quantidade de água que está retida no solo e que está disponibilizada para as raízes.

As plantas obtêm praticamente toda a água de que necessitam através do sistema radicular. Da água absorvida, a planta não retem mais que 2%, sendo o restante transferido para a atmosfera pela transpiração , após vários processos fisiológicos das plantas. Além de variar com a espécies cultivada, a evapotranspiração é afetada pelo solo e principalmente pelo clima. Entre os fatores climáticos que influenciam a processo, destacam-se: radiação solar, temperatura, umidade raletiva do ar e velocidade do vento.

Com isso existem vários métodos para estimar a evapotranspiração, como exemplo: o mais usados o tanque classe A, e outro mais moderno a tensiometria.

 

Tanque Classe A

O tanque Classe A foi desenvolvido pelo Serviço Metereológico Norteamericano e é de uso mais generalizado, inclusive no Brasil. É um tanque cilíndrico construído com chapa de ferro galvanizado n. 22, com 1,21m de diâmetro e 0,255m de profundidade. O tanque deve ser pintado interna e externamente com tinta aluminizada, sendo instalado sobre um estrado de madeira de 0,15m da superfície do solo, geralmente numa área gramada, quando seu propósito é estimar a evapotranspiração.

Esse método consiste na utilização de um tanque de evaporação direta, cheio de água, onde são feitas medidas, em milímetros, da agua evaporada entre uma leitura e outra. A lamina evaporada, medida pelo tanque, é multiplicada por um coeficiente do tanque (Kt), para que obtenhamos a evapotranspiração. Método muito comentado e utilizado no passado, apresenta limitações técnicas, principalmente para irrigações de alta freqüência  (pivô e localizada).

Um método que não irei comentar muito, pois é o mais usado e de maior conhecimento. O tensiômetro ainda é uma novidade para alguns produtores.

 

Tanque Classe A

Tensiômetro

Tensiômetros são equipamentos que medem a tensão (“força”) com que a água é retida pelo solo, a qual afeta diretamente a absorção de água pelas plantas. São disponíveis com manômetro metálico ou de mercúrio. Os metálicos são de mais fácil instalação e manutenção e mais seguros do ponto de vista ambiental. As unidades de medida podem ser em kPa, cbar, mmHg e cmH2O.

Tensiômetros têm capacidade para leitura de tensão entre 0-75 kPa, sendo recomendados para o manejo da irrigação na maioria das hortaliças cultivadas em campo ou sob cultivo protegido. Para que apresentem desempenho satisfatório é indispensável observar uma série de cuidados e procedimentos simples no preparo, instalação, operação, manutenção e armazenamento.

Tensiômetro analógico ou digital

PREPARO

Antes de serem levados a campo, os tensiômetros devem ser preparados, como a seguir:

a) Remover a tampa e encher preferencialmente com água destilada, fervida e fria;

b) Colocar o tensiômetro num balde com água durante 2-4 dias, de modo que a cápsula fique submersa. Manter o nível da água dentro do tensiômetro acima do nível da água no balde;

c) Com auxílio de uma bomba de vácuo acoplada ao tensiômetro, succionar água através da cápsula até cessar a subida de bolhas de ar. Uma seringa do tipo hospitalar (³ 25 ml) pode ser utilizada para promover vácuo;

d) Completar o tubo com água e fechar a tampa;

e) Retirar o tensiômetro do balde e perdurá-lo ao ar livre para que a água evapore através da cápsula. Para acelerar o processo, pode ser usado um ventilador;

f) Quando o manômetro indicar pelo menos 50 kPa, submergir a cápsula na água. Caso a leitura não caia rapidamente para 0-5 kPa, o tensiômetro deve ser revisado para problemas de entrada de ar e testado novamente.

INSTALAÇÃO

Os tensiômetros devem ser instalados em duas profundidades; um a 10 cm e outro entre 20-30 cm. No caso de solos rasos e cultivo de hortaliças com raízes mais superficiais e/ou antes do ciclo intermediário da cultura (início da floração), instalar o mais profundo a 20 cm; caso contrário, instalá-lo a 30 cm.

Tensiômetros, a cada profundidade, devem ser instalados na linha de plantio (5-10 cm da planta) em pelo menos 3 pontos representativos da área. No caso de irrigação por gotejamento, instalar acerca de 10-15 cm do gotejador. Para uma instalação adequada seguir os seguintes passos:

a) Fazer um buraco, preferencialmente em solo úmido, até a profundidade desejada, com um trado ou tubo com diâmetro igual ou ligeiramente inferior ao da cápsula. Para que não caia terra dentro da perfuração, molhar ligeiramente o solo ao redor do tubo antes deste ser retirado;

b) Introduzir o tensiômetro no buraco, de forma que haja um perfeito contato da cápsula com o solo;

c) Comprimir levemente a superfície do solo ao redor do tensiômetro. Elevar o solo em volta do tensiômetro (cerca de 3 cm) para evitar infiltração de água junto ao tubo;

d) Acoplar a bomba de vácuo (ou seringa) ao tensiômetro e succionar até que o manômetro indique cerca de 70 kPa.

e) Deixar a bomba acoplada por 5-10 segundos, até cessar a subida de bolhas de ar;

f) Colocar uma estaca a 10-15 cm do tensiômetro para que este possa ser facilmente localizado e não seja danificado.

OPERAÇÃO

Fazer as leituras dos tensiômetros diariamente logo nas primeiras horas da manhã. Anotar os dados numa tabela ou gráfico para facilitar o planejamento das irrigações.

As irrigações devem ser realizadas a todo momento que a média das leituras dos tensiômetros instalados a 10 cm for igual ou superior à tensão crítica para a hortaliça de interesse (Ver tabela abaixo).

Tensão (kPa) Hortaliças
10 – 30 Alface, alho, beterraba, cebola, cenoura, morango, folhosas, hortaliças sob cultivo protegido e/ou irrigadas por gotejamento
30 – 50 Abóbora, batata, berinjela, brócolos, melancia, melão, pimentão, tomate, vagem
50 – 70 Batata-doce, couve-flor, mandioquinha-salsa, milho-doce, repolho
> 70* Ervilha, grão-de-bico, lentilha, pepino, tomate industrial

* Fora da faixa de funcionamento de tensiômetro. Obs.: 1 kPa = 1 cbar = 7,5 mmHg = 10 cmH2O.

A quantidade de água a ser aplicada por irrigação pode ser ajustada com base na leitura dos tensiômetros. Irrigar o suficiente para que a tensão na profundidade a 10 cm seja reduzida para 5-10 kPa e a tensão na profundidade a 20-30 cm não abaixe de 10-15 kPa. A irrigação aplicada é considerada insuficiente se a tensão a 10 cm, 1-2 horas após a irrigação, for maior que 10 kPa. Por outro lado, a irrigação é excessiva se a tensão a 20-30 cm for inferior a 10 kPa.

Tensiômetros não são recomendados para indicar irrigações durante o estabelecimento inicial das hortaliças (5-10 dias após o transplantio ou emergência). Nesta fase, as irrigações devem ser realizadas a cada 1-3 dias mantendo úmida a camada superficial do solo (0-10 cm).

Tensiômetro

MANUTENÇÃO

A manutenção de tensiômetros no campo deve ser realizada semanalmente ou quando se verificar problemas de mal funcionamento e/ou presença de ar na parte superior do tubo após a irrigação. Procedimento a seguir:

a) Retirar a tampa e completar a água (destilada e fervida);

b) Retirar o ar do tensiômetro (ver item “e” de “Instalação”), completar a água e fechar a tampa;

c) Caso o tensiômetro continue a não funcionar corretamente, substituí-lo;

d) Evitar o pisoteio ao redor dos equipamentos, a fim de não alterar as características físicas do solo;

Obs.: Para evitar a quebra da cápsula, retirar o tensiômetro com solo úmido.

Descrição Tensiômetro

ARMAZENAMENTO

a) Antes de serem guardados, lavar as cápsulas com água e escova de cerdas macias;

b) Em caso de reutilização em até 60 dias, manter as cápsulas imersas em um recipiente com água, a fim de mante-las saturadas. A cápsula pode ainda ser acondicionada em um saquinho plástico, que terá a extremidade superior lacrada por uma fita adesiva ou elástica junto ao tubo;

c) Quando for necessário armazenar por mais de 60 dias, os tensiômetros deverão ser guardados a seco, após retirada toda a água de seu interior, para evitar o desenvolvimento de algas no seu interior

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Ramilos Brito
    mar 15, 2013 @ 14:50:20

    Poderia informar a referencia bibliográfica da metodologia utilizada no preparo dos tensiometros

    Responder

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