Plantas Medicinais

 

  1. 1.                IDENTIFICAÇÃO POPULAR

Popularmente uma planta é identificada através dos sentidos e memorização de aspectos de importância na planta como: forma da planta, das folhas e flores; cheiro característico, superfície lisa ou áspera; sabor adocicado, amargo, ácido, etc.

Também podem dividir as plantas em grupos homogêneos como: plantas cheirosas, de beira de estrada, de beira de rio, domésticas, rasteiras, etc.

Uma planta pode ter um ou mais nomes populares, que podem variar conforme a região e a cultura do povo. O nome popular é fundamental no trabalho comunitário, é através dele que se dá o reconhecimento popular das plantas.

As confusões com relação à identificação de plantas podem trazer diversos problemas como: uso de forma errada, intoxicação com a planta errada, compra ou venda da planta errada, plantio de espécie não adequada ao local, etc. Para tentar resolver este problema os pesquisadores deram um nome oficial, científico para classificar os vegetais. Mas não é o que vamos aprender nesse artigo e sim como cultivar as plantas em casa.

Uma planta é tida como medicinal por possuir substâncias que têm ação farmacológica (atuação dos componentes químicos das plantas no organismo). Estas substâncias são denominadas princípios ativos.

Nem sempre os princípios ativos (Quadro I), de uma planta são conhecidos, mas mesmo assim ela pode apresentar atividade medicinal satisfatória e ser usada, desde que não apresente efeitos tóxicos graves. Para as plantas estas substâncias estão relacionadas com atividades de proteção contra pragas e doenças e atração de polinizadores. Têm a função de melhorar as condições de sobrevivência da planta. Não são estáveis e nem se distribuem de maneira homogênea. Podem estar concentrados nas raízes, rizomas, ramos, caules, folhas, sementes ou flores, e o teor varia de acordo com a época do ano, hora de coleta, solo ou clima onde vive a planta.

Para melhor compreensão dos componentes vegetais e de suas ações, apresentamos a seguir um breve resumo dos principais princípios ativos.

Óleos essenciais – dos princípios ativos, os óleos essenciais, formam o grupo mais importante do ponto de vista econômico. São componentes vegetais extremamente voláteis dificilmente solúveis em água, e possuem odor intenso, algumas vezes desagradável. Podem estar contidas em flores, frutos, raízes e folhas das plantas aromáticas.  Em algumas espécies como o cedro, a canela e o linho, encontram-se na casca.

Alcalóides – formam um grupo economicamente importante, pois entram na composição de inúmeros medicamentos. Plantas produtoras de alcalóides são potencialmente perigosas se consumidas sem orientação médica, por isso diz-se que são plantas de uso industrial. Podem causar toxicidez mesmo quando usadas em pequenas doses. Como exemplo de plantas produtoras de alcalóides, temos a coca e o tabaco.

Taninos – são substâncias que protegem o vegetal do ataque de microorganismos, formigas ou cupins. A sensação travosa da boca, quando ingerimos planas contendo tanino, é causada pela precipitação das proteínas na mucosa. Os taninos podem provocar irritação gástrica. São encontrados em frutos verdes, pó de banana verde, cascas do caule e raiz de algumas espécies vegetais como: caju roxo, aroeira, nogueira.

Mucilagens – são polissacarídeos complexos formados por açúcares simples e que incham quando em contato com a água proporcionando um líquido viscoso. São princípios ativos que protegem as mucosas contra os irritantes locais, atenuando as inflamações. Ocorrem em diversas plantas, mas somente algumas espécies possuem aplicação terapêutica. São encontrados em maior quantidade nas sementes de tanchagem e malva, goma arábica e algas marinhas. Em menor quantidade encontram-se nas raízes tuberosas, folhas suculentas e plantas de clima árido.

Glicosídeos – as plantas produtoras de glicosídeos são de uso industrial, pois seu uso sem orientação médica pode ser perigoso. Apresentam ações e efeitos tão diversos que é difícil agrupa-los sob um conceito químico. Os glicosídeos podem ser: alcalinos cianogênicos, cardiativos, antraquinônicos, flavonóides e saponínicos.

Flavonóides – formam um grupo muito extenso com propriedades físicas e químicas muito variáveis. São compostos que se concentram principalmente nas flores e frutos servindo de atrativo para insetos e animais dispersores. São os responsáveis pela coloração das flores, frutos e algumas cascas. Possuem propriedades antioxidantes, atrasa o envelhecimento celular. Tem ação antiespasmódica, ação em determinados distúrbios cardíacos e circulatórios e em casos de cólicas estomacais.

Ácidos Orgânicos – diversas plantas apresentam ácidos orgânicos, que lhes conferem sabor ácido e propriedades farmacêuticas características, como, ação laxativa e refrescante. Plantas ricas em ácidos orgânicos são muito utilizadas na fito-cosmética. Essas substâncias encontram-se em maior quantidade nos frutos cítricos e ácidos e nas verduras. Tem ação brandamente diurética, antifermentativa, estimulante da respiração celular.

Saponinas - seu nome provém da propriedade de formar espuma abundante, quando agitada com água. As saponinas favorecem a ação dos demais princípios ativos da planta e em excesso podem causar irritação da mucosa intestinal e manifestações alérgicas. Atualmente entram como emulsificantes na preparação de muitos cosméticos, ex: pulmonária (Pulmonária officinalis). As plantas que contém saponinas são utilizadas também por sua ação expectorante, diurética, purgativa e depurativa. Algumas espécies como: erva-mate, joazeiro, pfaffia e salsaparrilha, as saponinas são encontradas em maior quantidade.

Princípios amargos – a propriedade do sabor amargo é encontrada em muitas espécies vegetais. Estes princípios têm funções estomacais, como estimulantes biliares e preparam o aparelho digestivo para o aumento da produção de suco gástrico (aperitivo). Alcachofra, chicória e boldo são espécies ricas em princípios amargos.

QUADRO I – Alguns dos principais grupos de princípios ativos

Grupo de princípio ativo

Função no

vegetal

Ação

farmacológica

Espécie

Uso na

indústria

Mucilagens

Translocação

de água e

nutrientes

Antiinflamatória, cicatrizante,

antiespasmódica,

laxante

Babosa,

Tanchagem,

Borragem,

Quiabo

Fabricação

de geléias;

gomas,

hidratantes.

Óleos essenciais

Proteção,

polinização

Bactericida,

vermífuga,

anestésica,

anti-séptica,

Alecrim,

Erva cidreira,

Camomila,

Hortelãs, Sálvia,

Alfavacão

Farmacêutica, alimentícia, cosmética.

Alcalóides

Proteção contra predadores

Analgésica,

anestésica,

calmante,

antiespasmódica.

Beladona,

Café, Maracujá,

Guaraná, Jaborandi,

Noz-vômica

Farmacêutica

Taninos

Proteção contra

fungos e

bactérias

Adstringente,

antidiarréica,

cicatrizante

vaso constritora,

Goiabeira,

Barbatimão,

Pitangueira, Romã,

Espinheira-santa

Farmacêutica,

curtume

Glicosídeos

Proteção contra predação

Cardiotônica,

tratamento de

doenças do coração, antiinflamatória

Dedaleira,

Espirradeira,

Mandioca, Babosa,

Cáscara sagrada

Farmacêutica

Bioflavonóides

Polinização,

dispersão de

frutos e

sementes

Antiinflamatória,

fortalece os vasos

capilares,

circulação,

coração,

antireumático

Camomila,

Marcela,

Calêndula,

Arruda

Alimentícia,

cosmética

Fonte: Plantas medicinais – coletânea de sabores (Schirlei da Silva Alves Jorge)

ALECRIM

ALECRIM

BABOSA

BABOSA

CAMOMILA

CAMOMILA

MARACUJÁ

MARACUJÁ

ROMÃ

ROMÃ

2.   CUIDADOS NO CULTIVO DE PLANTAS MEDICINAIS

As plantas medicinais devem ser ricas em princípios ativos e para que isto ocorra alguns cuidados são essenciais, como: utilização de água sem poluentes e de preferência manter a terra sempre úmida, usar cobertura morta (restos vegetais secos) que impedem o ressecamento do solo pelos raios solares.

2.1. Irrigação:

Deve-se tomar o cuidado para não fornecer água em excesso, pode haver uma “lavagem do solo” e os nutrientes são arrastados pela água, tornando-se indisponíveis às plantas. A água excessiva aumenta a incidência de doenças e impede o arejamento da terra. Tanto o excesso quanto a escassez podem trazer prejuízos para o cultivo.

A água é imprescindível para o desenvolvimento de qualquer vegetal, principalmente daqueles que possuem crescimento rápido, grande quantidade de massa verde e estão próximos uns dos outros. Sem a água os vegetais são conseguem absorver os nutrientes disponíveis no solo e indispensáveis ao crescimento.

Para espécies arbóreas, a irrigação pode ser feita quando houver grande período de estiagem.  Nunca irrigue na hora do sol forte. Se houver abundancia de água, recomenda-se irrigar de manhã e à tarde, no início do desenvolvimento, e depois reduzir para as necessidades da planta.

 

IRRIGAÇÃO

IRRIGAÇÃO

IRRIGAÇÃO GARRAFA PET

IRRIGAÇÃO GARRAFA PET

2.2. Solo:

- Devem ser plantadas em solos mais soltos (mais arenosos e menos argilosos), as espécies que tem por objetivo a extração de raízes, como por exemplo: gengibre, curcuma e açafrão.

- Solos ricos em matéria orgânica são os preferidos pelas espécies que produzem muita massa foliar como: hortelãs, poejos, capim cidreira, erva-cidreira e carqueja.

- Poucas espécies como chapéu-de-couro, cavalinha e caninha do brejo preferem solos encharcados.

- Espécies suscetíveis às doenças como as mentas e a tanchagem não devem ser plantadas em solos mais escuros, argilosos. Estes geralmente são mais férteis, menos ácidos, retém mais água, mas favorecem o aparecimento de doenças.

- Algumas espécies medicinais selecionadas e o tipo de solo recomendado para o plantio.

Nome popular Nome científico Tipo de solo
Alecrim Rosmarinus officinalis Calcário e bem drenado
Anador Justicia pectoralis Não exigente
Babosa Aloe vera Leves, arenosos e bem drenados
Boldo Plectranthu barbatus Secos, leves e bem drenados
Capim-limâo Cymbopogon citratus Drenado, rico em matéria orgânica
Colônia Alpinia zerumbet Boa retenção de água, sem encharcar
Erva-cidreira Lippia alba Drenado, rico em matéria orgânica
Guaco Mikania glomerata Rico em matéria orgânica
Hortelã rasteira Mentha x vilosa Todo tipo, melhor no úmido argiloso
Poejo Mentha pulegium Orgânicos com boa retenção de umidade
Quebra pedra Phyllantus niruri Mais úmidos e sem encharcar
Romã Punica granatum Todo tipo
Sabugueiro Sambucus australis Todo tipo
BOLDO

BOLDO

ANADOR

ANADOR

GUACO

GUACO

Para uma boa adubação é preciso antes analisar o solo e diagnosticar quais os nutrientes estão deficitários. Isto pode ser corrigido com o uso de produtos de origem química (adubos químicos, calcário, fosfatos, cinzas, etc.) e os de origem orgânica (estercos de animais, húmus de minhoca, adubo verde, composto orgânico, etc.).

A chuva influencia os teores de princípios ativos contidos nas plantas. Após uma chuva a quantidade de alcalóides diminui e a de óleos essenciais aumenta. Após períodos de estiagem a quantidade de óleos essenciais diminui.

Conforme o período do dia, o teor de princípios ativos varia os glicosídeos atingem sua maior concentração na parte da tarde, e os óleos essenciais por volta do meio-dia. Exceção é a camomila que atinge uma maior quantidade e melhor qualidade de óleo à noite.

Para as plantas aromáticas, a colheita é feita no início da floração, por apresentarem maior teor de óleo essencial;

Em nosso clima é fundamental observar o comportamento das espécies medicinais em relação ao período chuvoso e ao período de estiagem.

Esses corretivos devem ser colocados no solo na quantidade correta, para que não ocorra desequilíbrio e prejudique o desenvolvimento da planta. Os corretivos químicos devem ser usados somente com orientação técnica.

Utilização de adubação adequada, a falta ou excesso de nutrientes podem aumentar ou diminuir a quantidade de princípios ativos na planta. Esta fica sujeita a ataques de pragas (ácaros, pulgões, cochonilhas, formigas, lagartas, lesmas, grilos) e microorganismos (fungos e bactérias). Os estercos de origem animal (bovino, aves) devem ser bem curtidos, caso contrário poderá haver queima da planta. Após curtido, o esterco deverá ser bem misturado com terra do canteiro e esperar 20 dias para o plantio. Retirar as plantas que brotarem nesses dias. Também podem ser adicionados restos vegetais como: folhas, ramos, bagaços, pó de café, chá ou resíduos secos de animais, como casca de ovo e ossos moídos. O preparo deste tipo de adubo chama-se compostagem e pode ser feito dentro de um caixote ou em um buraco no chão em camadas.

A quantidade de adubo orgânico colocado normalmente numa horta é:

Esterco de ave – 1,5 a 3,0 kg /m2

Húmus de minhoca – 1,5 a 3,0 kg/m2

Esterco de boi – 3,0 a 5,0 kg/m2

2.3. Local e clima:

Qualquer local em que incida pelo menos cinco horas de sol, as plantas crescem com vigor, preferencialmente se o solo tiver boa drenagem e for protegido de ventos frios e fortes.

Em todo caso se não houver outro local para o cultivo, improvise quebra-ventos. Os ventos fortes derrubam as flores, impedindo a polinização e afugentam as abelhas e outros insetos.

O local deve ser o mais plano possível, estar próximo à fonte de água para irrigação, ficar longe do solo muito argiloso. Os solos argilosos são mais compactos, menor drenagem e oferecem dificuldade no trabalho. Em locais onde a iluminação é deficiente (três a quatro horas de sol) pode-se plantar espécies como menta, melissa, poejo e hortelã em vasos.

Além dos vasos, uma horta pode ser instalada em jardineiras, sacos de leite, garrafas pet, caixas de madeira, latas de 18 litros e caixa d’água, principalmente quando o cultivo for de condimento como alecrim orégano, cebolinha e salsinha.

Esses recipientes devem estar bem limpos para não prejudicar o crescimento ou envenenamento da planta. Deve ter pelo menos 20 cm de profundidade, para plantas cuja altura não ultrapasse 50 cm (poejo, hortelã, anador). Para uma boa drenagem, no fundo dos recipientes, deve haver furos e uma camada de pedras.

Plantas como boldo da terra, manjericão e alecrim, necessitam de maior profundidade e devem ficar nos vasos por um período menor e depois ser transplantado.

Como a maioria das plantas medicinais exige sol pleno, se colocar na face norte (oferece mais luz e calor) uma planta de maior tamanho, ela sombreará as de menor porte e que estão na face sul. Esta face é recomendada para espécies adaptadas a clima mais ameno, aos ventos frios como camomila, marcela, guaco e epinheira-santa.

Espécies produtoras de raízes e flores como camomila, calêndula (flores) e bardana (raiz) preferem clima ameno. Quase que a maioria das plantas que produzem frutos suculentos são adaptadas a clima mais quente como maracujá, acerola e limão.

A maioria das plantas que recebem nome indígena também preferem climas quentes como pariparoba, catuaba, jaborandi, poaia (ipecacuanha), pois são originárias de regiões tropicais e subtropicais.

Em locais de clima ameno, plante as espécies exigentes de clima mais quente apenas nos meses de setembro e outubro, e em locais de clima quente plante em abril ou maio as espécies de clima mais ameno.

Alguns exemplos de espécies de clima mais ameno: camomila, guaco, espinheira-santa, calêndula, marcela, estévia, bardana. Plantas de clima quente: arruda, jaborandi, capim-limão, guaraná, açafrão, boldo.

2.4. Dicas:

- plantar espécies resistentes e adaptadas ao local e à época;

- realizar a rotação de cultura, evitando plantar em anos consecutivos uma mesma espécie ou da mesma familia, pois absorvem o mesmo nutriente do solo e a planta fica vulnerável ao ataque de pragas e doenças.

- adquirir mudas sadias;

- manter o solo em boas condições, pois a umidade e temperaturas altas tornam o ambiente propício ao ataque de doenças;

- em caso de infecção, retirar a parte infectada (folha, ramo, etc.), ou até mesmo a planta inteira e queime-a para que não haja contaminação. Depois, plante outra espécie de família diferente. Desinfeccione o material de colheita ou poda.

- contra certas pragas, plantem em volta de seu canteiro, espécies que repelem alguns insetos como: cravo de defunto ou tagetes (Tagetes glandulifera), que mantêm os pulgões longe, hortelã (Mentha sp.) que afugenta formigas e arruda (Ruta graveolens), que evita lesmas.

- espécies como a catinga de mulata (Tanacetum vulgare) e/ou gergelim (Sesamum indicum), são repelentes para formigas.

 

2.5.  Pragas e Doenças:

A) Pragas

Para a classificação correta do inseto, é necessário o auxílio de um profissional.

- Ácaros - podem apresentar cores amarelas, vermelhas ou brancas, atacam brotações novas, folhas, flores e frutos, que ficam com aparência crespa e amarelada.

- Besouros - alguns são predadores de insetos, alimentando-se de ovos e larvas e, portanto, são aliados do agricultor, como por exemplo, a joaninha. Outros, porém, se alimentam de vegetais e causam prejuízo à plantação.

- Cochonilhas - são insetos sugadores que excretam uma substância açucarada sobre as plantas, atraindo as formigas e criando condições favoráveis para o aparecimento da fumagina (escurecimento das folhas).

- Formigas - as da espécie cortadeira cortam as partes tenras das plantas e levam para o formigueiro para o cultivo de um fungo do qual se alimentam. As da espécie doceira se alimentam das substâncias secretadas pelas cochonilhas e pulgões, protegendo-os de seus inimigos naturais, além de se alimentarem da seiva das plantas. Existem ainda as formigas predadoras, que são benéficas (formiga-cabaça e formiga-de-ferro) à agricultura.

- Lagartas - fase jovem da borboleta possuem vários tamanhos e cores de acordo com a espécie. Em seu último estágio larval, são muito vorazes, causando prejuízos.

- Pulgões - são insetos que sugam as partes mais tenras dos vegetais, contaminando-os com vírus e causando deformações na planta. De acordo com a espécie, podem atacar desde as raízes até as folhas, o que acontece quando o solo está pobre de nutrientes, quando o adubo não está bem curtido ou quando há excesso de adubação, provocando desequilíbrios bioquímicos no solo.

- Outros defensivos naturais

- Calda de fumo – controla cochonilhas, pulgões, ácaros, tripes e lagartas;

- Infusão de losna – controla lagartas e lesmas;

- Solução de sabão – controla pulgões e ácaros;

- Macerado de urtiga – controla lagartas.

 

B) Doenças

Há vários agentes causadores de doenças. Os mais comuns são:

- Fungos - conhecidos popularmente como mofos ou bolores, entre outros. Os mais importantes nas plantas cultivadas são:

- os que provocam a “queima” das folhas, que ficam de pardo-avermelhadas a negras e o apodrecimento de frutos e hastes verdes (Antracnose).

- os que atacam a parte produtiva das plantas na fase inicial, causando deformações, como gigantismo e tumores.

Na fase inicial, as partes afetadas do vegetal soltam grande quantidade de esporos de cor negra, que lembram o pó de carvão (Carvões).

- os que atacam principalmente as folhas, que ficam com manchas (pústulas) que se espalham por todo o vegetal (Ferrugem).

- Bactérias - são organismos pequenos que penetram na planta através de suas aberturas naturais ou através de ferimentos. Podem ser transmitidas também por insetos e ferramentas, entre outros. Provocam a formação de galhas e morte da planta.

- Vírus - geralmente transmitidos por insetos sugadores ou por sementes contaminadas. Provocam o aparecimento de manchas nas plantas. As culturas atacadas por virose devem ser imediatamente eliminadas. Para evitar o ataque das viroses, é necessário o controle de pragas que transmitem o vírus.

- Nematóides - são vermes que existem no solo. Alguns provocam a formação de galhas ou pipocas nas raízes.

O controle é realizado através da desinfecção de ferramentas, manejo adequado do solo e rotação de cultura. Para prevenção, fazer o sistema de rotação de culturas e evitar o plantio em solo de adubação inadequada.

C) Controle de pragas e doenças

 

MEDIDAS GERAIS

- Seleção de área de cultivo

- Manejo do solo

- Rotação de culturas

- Plantio na época correta

- Usar sementes, mudas, estacas de plantas sadias

- Plantio no espaçamento adequado

- Consorciação

Uma área grande de plantas da mesma espécie pode facilitar o surgimento e rápido desenvolvimento de pragas e doenças específicas. A consorciação de duas ou mais espécies reduz este risco. É necessário, entretanto, fazer um planejamento desta consorciação por causa dos efeitos alelopáticos (ação de uma espécie sobre o desenvolvimento da outra). Quando não há informações sobre o efeito da consorciação ela deve ser testada primeiro em uma pequena área. Abaixo vemos alguns exemplos de asssociações benéficas e associações que devem ser evitadas.

- Alfavaca: seu cheiro repele moscas e mosquitos. Não devem ser plantadas perto da arruda.

- Funcho: em geral não se dá bem com nenhuma outra planta.

- Cravo-de-defunto: protege as lavouras dos nematóides. Aparentemente não é prejudicial a nenhuma outra planta.

- Hortelã: Seu cheiro repele lepidópteros tipo borboleta-da-couve podendo ser plantada como bordadura de lavouras. Exige atenção, pois se alastra com facilidade.

- Manjerona: melhora o aroma das plantas.

- Alecrim: mantém afastados a borboleta-da-couve e a mosca-da-cenoura. É planta companheira da sálvia.

- Catinga-de-mulata: seu aroma forte mantém afastados os insetos voadores. Pode ser plantado em toda área.

- Tomilho: seu aroma mantém afastada a borboleta-da-couve.

- Losna: como bordadura, mantém os animais fora da lavoura, mas sua vizinhança não faz bem a nenhuma outra planta; mantenha-o um pouco afastado.

- Mil-folhas: planta-se com bordadura perto de ervas aromáticas: aumenta a produção de óleos essenciais.

- Arnica brasileira: inibe a germinação de sementes de plantas daninhas.

CRAVO-DE-DEFUNTO

CRAVO-DE-DEFUNTO

TOMILHO

TOMILHO

CATINGA-DE-MULATA

CATINGA-DE-MULATA

MIL-FOLHAS

MIL-FOLHAS

HORTELÃ

HORTELÃ

C. Medidas específicas para controle de pragas e doenças:

 

C.1) Pragas:

- Macerado de samambaia: Colocar 500 gramas de folhas frescas ou 100 gramas de folhas secas em um litro de água por dia. Ferver meia hora. Para aplicação diluir um litro deste macerado em dez litros de água. Controla ácaros, cochonilhas e pulgões.

- Macerado curtido de urtiga: Colocar 500 gramas de folhas frescas ou 100 gramas de folhas secas em um litro de água e deixar dois dias. Para aplicação diluir em 10 litros de água e pulverizar sobre as plantas ou no solo. Controla pulgões e lagartas (aplicado no solo)

- Macerado de fumo: Picar 10 cm de fumo de corda e colocar em um litro de água por um dia em recipiente não-metálico com tampa. Diluir em 10 litros de água e pulverizar as plantas. Controla cochonilhas, lagartas e pulgões.

- Mistura álcool e fumo: Coloque 10 cm de fumo picado em uma tijela e cubra com álcool misturado com um pouco de água. Quando o fumo absorver o álcool, coloque mais álcool misturado com um pouco de água e deixe 15 dias de molho, tampando a tijela, para que a nicotina seja retirada do fumo. Coloque o líquido em uma garrafa com tampa e, na hora de usar, misture com sabão ralado e água nas seguintes proporções: um copo de mistura de água e fumo, 250 gramas de sabão e 10 litros de água. Controla pulgões.

- Mistura de querosene, sabão e macerado de fumo: Aqueça 10 litros de água, 20 colheres de sobremesa de querosene e 3 colheres de sopa de sabão em pó biodegradável. Deixe esfriar e adicione um litro de macerado de fumo. Pulverizar sobre as plantas. Controla cochonilhas com carapaça e ácaros.

- Mistura de sabão, macerado de fumo e enxofre: Misturar em 10 litros de água morna, meia barra de sabão, um litro de macerado de fumo e um kg de enxofre. Deixar esfriar e pulverizar sobre as plantas. Controla ácaros.

- Cravo de defunto: Quando plantado nas bordaduras impede o aparecimento de nematóides nas plantas cultivadas.

- Tajujá, taiuiá ou melancia-brava: É uma planta trepadeira cujas folhas são bem parecidas com as da melancia. A raiz é semelhante à da mandioca. Apanha-se esta raiz, corta-se em pedaços de 10 cm e distribui-se na lavoura. A seiva ou líquido existente na raiz atrai insetos, fazendo com que estes não ataquem a planta cultivada. Deve ser renovada regurlamente. Controla besouros (“vaquinha”).

- Purungo ou cabaça: Também é uma planta trepadeira. Suas folhas são parecidas com as de abóbora. Quando o fruto está maduro (seco) é usada para cuia de chimarrão. Quando está verde, o fruto cortado ao meio atrai insetos, devendo ser espalhado na lavoura, como o tajujá. Controla besouros (“patriota”).

- Soro de leite: Quando pulverizado sobre as plantas, resseca e mata ácaros.

- Armadilha luminosa: Colocar uma lanterna de querosene acessa a partir das sete horas da noite no meio da lavoura e deixar até de madrugada, principalmente nos meses de novembro a fevereiro. As mariposas são atraídas pela luz e batem no vidro da lanterna, caindo num saco de estopa aberto que é colocado logo abaixo. No dia seguinte matar as mariposas. Controla mariposas, especialmente a mariposa-oriental (broca-dos-ponteiros) que ataca os pomares.

-Saco de aniagem: Umidecê-lo com um pouco de leite e colocar na lavoura em vários locais. No dia seguinte pegar as lesmas que estão aderidas ao saco e matá-las.

- Solução de água e sabão: Colocar 50 gramas de sabão caseiro em 5 litros de água quente. Após esfriar, aplicar com o pulverizador. Controla pulgões, cochonilhas e lagartas.

- Infusão de losna: Derramar um litro de água fervente sobre 300 gramas de folhas secas e deixar em infusão por 10 minutos. Diluir em 10 litros de água. Pulverizar sobre as plantas. Controla lagartas e lesmas.

- Cerveja: A cerveja atrai lesmas. Fazer armadilhas com latas de azeite, tirando a tampa e enterrando-as a com abertura no nível do solo. Colocar um pouco de cerveja misturada com sal. As lesmas caem na lata atraídas pela cerveja e morrem desidratadas pelo sal. Controla lesmas.

- Pimenta vermelha: Pimenta vermelha bem socada, misturada com bastante água e um pouco de sabão em pó ou líquido pulverizada sobre as plantas, age como repelente de insetos. Outras plantas também podem ser utilizadas como inseticidas, entre as quais se destacam:

- Piretro: Com o qual se faz um inseticida contra pulgões, lagartas e vaquinhas. É obtida fazendo-se a maceração das flores. Sua ação pode ser aumentada (ação sinergística ) com uso da sesamina, produto obtido do extrato de gergelim.

- Alamanda: Com suas folhas prepara-se uma infusão para combater pulgões e cochonilhas.

- Santa Bárbara: Ou cinamomo, o extrato alcoólico de seus frutos é utilizado para combater pulgões e gafanhotos. A substância encontrada nesta planta, a azadirachtina, inibe o consumo das plantas por estes insetos.

- Arruda: Suas folhas são utilizadas no preparo de uma infusão para o combate a pulgões.

- Pimenta-do-reino: De seus frutos se extrai uma substância que inibe o consumo das plantas por diversos insetos.

ARRUDA

ARRUDA

C.2) Doenças

- Chá de camomila: Imergir um punhado de flores em água fria por um ou dois dias. Pulverizar as plantas, principalmente as mudas em sementeira. Controla diversas doenças fúngicas.

- Mistura de cinza e cal: Dissolver 300 gramas de cal virgem em 10 litros de água e misturar mais 100 gramas de cinzas. Coar e aplicar sobre as plantas por pincelamento ou pulverização durante o inverno, quando as árvores estão em dormência. Controla barbas, líquens e musgos.

- Cal: Fazer uma pasta de cal e pincelar sobre o tronco. Com isto evita-se a subida de formigas e ajuda controlar a barba das frutíferas.

- Pasta de argila, esterco, areia fina e chá de camomila: Misturar partes iguais de argila (barro), esterco, areia fina e chá de camomila, de modo a formar uma pasta. Usar para proteger os cortes feitos por podas e também ramos ou troncos doentes durante o outono após a queda das folhas e antes da floração e brotação.

- Chá de raiz forte (crem): Derramar água quente sobre folhas novas da raiz forte e deixar em infusão por 15 minutos. Diluir 1 litro da infusão em 2 litros de água e pulverizar a planta toda. Controla podridão parda das frutíferas.

- Pasta bordalesa: Diluir um kg de sulfato de cobre bem moído com um pouco de água, mexendo bem com uma vara. Em outro vasilhame queimar um kg de cal virgem com água quente, a qual deve ser colocada bem devagar. Esperar até que a solução esfrie. Em um terceiro vasilhame, com capacidade para 10 litros, colocar a solução de cal e a solução de sulfato de cobre, pouco a pouco e mexendo bem com uma vara. Depois completar até os dez litros com água e mexer bem novamente. Aplicar com uma brocha de pedreiro e pintar os troncos e os galhos mais grossos, evitando as folhas e galhos mais finos. Aplicar durante o inverno. Controla barba, líquens, musgos, algas em frutíferas e ajuda controlar doenças bacterianas em outras plantas.

- Calda sulfocálcica: É o melhor produto para o tratamento de inverno das frutíferas. Diluir 1.5 kg de enxofre em pó em água, acrescentando um pouco de espalhante adesivo para dissolver melhor. Em seguida colocar em uma lata com capacidade de vinte litros e levar ao fogo acrescentando 10 litros de água. Colocar nesta lata 1.2 de cal virgem fresco e mexer bem. Manter a mistura no fogo durante uma hora, acrescentando sempre um pouco de água para manter o volume inicial. Após uma hora a calda deve ter cor pardo-avermelhada. Deixar esfriar e coar em um pano. Para dosar a quantidade de água para diluir a calda teríamos que usar uma tabela e um aparelho chamado aerômetro de Baumé. Entretanto, em muitos casos não se justifica comprar este aparelho. Por isso, se o cal virgem e o enxofre forem bem frescos, sugerimos diluir um litro de calda em cinco litros de água. Emseguida pulverizar toda planta no inverno antes do inchamento das gemas. Controlam as mesmas doenças da calda, bordaleza, tendo excelente ação sobre fungos como ferrugem de alho e cebola. Para controle de doenças provocadas por Cladosporium e Phytophthora recomenda-se aplicar extratos de plantas que contenham solanina, um alcalóide encontrado em diversas espécies do gênero Solanum (ex: batata, fumo -bravo, joá). Além destes preparados p ara controlar/repelir pragas e doenças podemos ainda lançar mão dos inimigos naturais destas mesmas pragas e doenças. Um exemplo disto é o produto chamado DIPEL, que é um inseticida biológico cujo “ingrediente ativo” é uma bactéria (Bacillus thuringiesis ) que, quando ingerida por lagartas de diversas espécies ( mas não todas ), parasita seu intestino levando-ás a morte. Esta bactéria não faz mal a outros insetos ou animais e não possui efeito residual.

- Biofertilizante líquido: O biofertilizante, empregado apenas como adubo orgânico com excelentes resultados, é um efluente pastoso, resultante da fermentação da matéria orgânica, por um determinado tempo, na ausência total de oxigênio. Mas, a partir de 1985, técnicos da EMATER-RIO começaram a observar os efeitos do biofertilizante liquído diluído em água, percebendo redução do ataque de pragas e doenças. Os efeitos foram:

- nutricional, com aumento da produtividade;

- fito-hormonal,induz floração e facilita o enraizamento de estacas;

- nematicida, controla larvas e nematóides quando aplicado puro sobre o solo;

- fungistático e bacteriostático, reduzem o ataque de fungos e bactérias;

- inseticida e repelente, mata insetos de “corpo mole” (formas larvais e jovens), como lagartas, e repele os ditos de “corpo duro” (insetos adultos alados).

Todas as ações ocorrem sem haver desequilíbrios, pois o biofertilizante é constituídosimplesmente por macro, meso e microelementos e aminoácidos úteis ao desenvolvimento do vegetal. Não é recomendado pulverizar durante a floração, para não haver prejuízos à polinização.Para produzir o biofertilizante, a EMATER-RIO recomenda uma bombona plástica com esterco bovino misturado em partes iguais com água pura, não-clorada, deixando-se um espaço vazio de 15 a 20 cm no seu interior. Esta bombona é hermeticamente fechada, tendo adaptada, em uma de suas tampas, uma mangueira plástica fina, que tem a outra extremidade mergulhada em uma garrafa cheia de água.

Tudo isto serve para garantir a anaerobiose necessária ao processo de fermentação, a qual dura 30 dias. O material a ser empregado é coado em peneira e, posteriormente, filtrado em pano fino. O tempo de utilização do biofertilizante é reduzido, devendo ser usado imediatamente ou, no máximo, em uma semana, para que não perca o efeito fitosanitário. Caso não possa ser utilizado, ele deve voltar ao sistema anaeróbico, ficando por mais 30 dias. Neste caso, só terá efeito hormonal e nutricional.

A aplicação do biofertilizante é feita com os pulverizadores normalmente utilizadosnas lavouras. Dilui-se a 50%, isto é, colocam-se 50 litros de biofertilizante e completa-se com água para 100 litros ou proporções equivalentes. Esta concentração garante o controle dos insetos de “corpo mole”, agindo como inseticida de contato, repelindo as formas adultas. Elevando-se a concentração, aumenta também o controle dos insetos em formas adultas. À medida que se diminui a concentração da calda, diminui o efeito inseticida, permanecendo o efeito repelente de insetos adultos. As pulverizações são feitas em alto volume, ou seja, as plantas devem ser totalmente recobertas com a calda. As estacas poderão ser mergulhadas em biofertilizante liquído puro, por 1 a10 minutos, sendo secas à sombra por cerca de duas horas e postas a enraizar em seguida. Maiores informações são apresentadas no trabalho de VAIRO DOS SANTOS (1992).

Talvez o único inconveniente do uso do biofertilizante seja a carga microbiológica, que poderia ser aumentada sobre a parte aérea das plantas, comprometendo a qualidade. No entanto, não há estudos envolvendo plantas medicinais.

2.6. Escolha das plantas medicinais

Para uma produção caseira devem-se levar em conta algumas considerações. Se não tiver experiência, plante espécies fáceis de cultivar, como hortelã, boldo, erva cidreira, capim-limão, alfavaca.

Se a planta não se adaptar ao local ou for muito atacada por doenças é preferível que se escolha outra espécie;

Procure plantar espécie que auxiliem o usuário, isto é, em função das doenças que ocorrem nas pessoas da casa ou parentes, por exemplo, só diurética: cavalinha, cana-do-brejo, milho e chapéu-de-couro.

Não as utilize em excesso, podem causar algum dano ao seu organismo, use-as para problemas simples e com auxílio de um médico. Não há planta medicinal que não faça mal em doses elevadas.

CAVALINHA

CAVALINHA

CANA-DO-BREJO

CANA-DO-BREJO

CAPIM-LIMÃO

CAPIM-LIMÃO

ERVA-CIDREIRA/MELISSA

ERVA-CIDREIRA/MELISSA

  1. 3.     OBTENÇÃO DE MUDAS

Cada planta possui forma particular de propagação e por isto há diversos mo-dos de obterem-se mudas.

As mudas de plantas medicinais podem ser obtidas por estaquia, divisão de touceiras e sementes viáveis. Deve-se manter na horta um pequeno viveiro e uma sementeira. Para melhor propagação destas espécies.

A estaquia (ramo) é o processo vegetativo mais usado devido a sua eficiência, simplicidade e rapidez. É reprodução de vegetal a partir da planta matriz, produzin-do mais rápido e indivíduos semelhantes à planta mãe.

Deve-se escolher um ramo novo com 5 a 10 cm sem sinais de doenças. Cortar as estacas de ramo com tesoura de poda, a parte que será enterrada em forma inclinada (bisel) e o ápice reto. Não deve possuir botões florais. As estacas devem ser plantadas em saquinhos plásticos com substrato preparado, mistura de partes iguais de terra comum, húmus e areia.

Devem-se retirar as folhas da estaca, deixando apenas um par de folhas no final do ramo. O fim da primavera é a época melhor para fazerem mudas. Exemplo de espécies para:

- estaquia da folha – plantas com folhas carnosas (saião, folha-da fortuna)

- estaquia de caules e galhos – forma mais utilizada para a maioria das plantas medicinais, classificadas de acordo com a lenhosidade da planta (boldo, erva doce, alfavaca) Lenhosa: erva-cidreira, Semilenhosa: alecrim, Herbácea: manjericão.

- estaquia de raízes e rizomas – todas as plantas que possuem filhotes ou rebentos (confrei, babosa e outras)

As estacas assim preparadas devem ser em seguida desinfetadas, ou seja, mergulhadas em solução fungicida por alguns minutos, a depender do tipo de estaca e do fungicida empregado.

Também para estimular o enraizamento podem ser usadas substâncias promotoras da multiplicação celular, os fitohormônioa. A maneira como devem ser empregados, se for por imersão ou contato, e a concentração empregada dependerá da forma de apresentação do produto e do tipo de estaca a ser enraizado.

Outra maneira de ser feita a reprodução vegetativa é por meio de divisão de touceira, como por exemplo: o capim cidreira (Cymbopogon citratus), ou capim limão e mil folhas.

A divisão de rizoma é outro método usado para plantas da família das zingiberaceas, como a curcuma (Curcuma longa), o gengibre (Zingiber officinale) e a zedoária (Curcuma zedoaria).

Plantas como a babosa (Aloe vera) podem ser propagadas pela divisão de filhotes, que são brotos que se desenvolvem a partir do caule da planta mãe.

DIVISÃO DE RIZOMA

DIVISÃO DE RIZOMA

Sementes é o método mais prático, barato e rápido, mas em alguns casos não pode ser usado porque há espécies que não produzem sementes, ou as sementes não são viáveis ou então espécies de domesticação que se reproduzem por fecundação cruzada.

Para maior segurança na germinação da maioria das plantas medicinais há necessidade de serem plantadas em sementeiras.

As sementeiras podem ser realizadas em caixotes ou canteiros bem adubados e umedecidos. Fatores como temperatura e luminosidade têm papel importante na germinação de sementes. Os canteiros devem ter sulcos distanciados 15 cm e com 2cm de profundidade.

Cuidado para não distribuir as sementes em excesso. Sementes muito pequenas como as de alecrim, devem ser muito bem misturadas com areia e depois distribuídas.

Regar de manhã e à tarde, até que a mudinha tenha cinco folhinhas. Para transplantar as mudas para os canteiros, primeiramente molhar bem a sementeira e retirar as mudas com cuidado para não danificar as raízes, no período de final da tarde quando o sol estiver mais fraco.

De acordo com a altura da planta, fazer as covas de 30x30x30cm ou 60x60x60cm (altura, comprimento e largura).  Algumas espécies como a camomila, são plantadas diretamente em semeadura à lanço (espalhadas no terreno).

A losna, a calêndula, a alfavaca, o funcho, a camomila, a hortelã e a manjerona também podem ser semeadas em sulcos, desde que seja retirado o excesso de plantas, respeitando a distância indicada.

Mergulhia é um processo pouco usado comercialmente, embora ocorra na natureza com freqüência em algumas espécies. É feito induzindo à formação de raízes num ramo, enterrando uma parte desse ramo enquanto ainda se encontra ligado à planta mãe, deixando-se a sua ponta sem enterrar. A parte enterrada formará raízes, deve ser cortada da planta mãe, originando uma nova muda.

Alporquia é um método utilizado em determinadas plantas arbustivas ou arbóreas que não possuem ramos flexíveis o bastante para se fazer a mergulhia. Para este processo deve ser escolhido um ramo com ótima aparência e com no mínimo 30 cm de comprimento. Faz-se duas incisões em forma de anel, distante 1 cm uma da outra, retirando-se a casca entre estes dois anéis, deixando-se a parte interna exposta. Isto é chamado de anelamento. Amarra-se com barbante um pedaço de plástico transparente em baixo do corte, de modo a formar uma bolsa. Este saco é preenchido com algum tipo de substrato onde as raízes possam se desenvolver, como musgo, areia ou terra. Depois de algumas semanas haverá formação de raízes no interior do plástico. O ramo deverá ser cortado abaixo das raízes e plantado sem o plástico em local adequado para que termine o seu desenvolvimento. No caso do sabugueiro (Sambucus nigra), o tempo deste processo é de 60 dias.

Hidroponia, os estudos de produção hidropônica de plantas medicinais são escassos. Consiste no cultivo da planta sob estufas, num sistema em que as raízes das espécies cultivadas ficam submersas (tubo) em solução nutritiva, em água corrente. A hidroponia não é considerada manejo orgânico por utilizar substâncias químicas na propagação de novas mudas.

Algumas espécies medicinais e suas recomendações de plantio, propagação, época de colheita, parte utilizada e forma de uso.

Espécie

Solo

Época de

Plantio

Modo de Propagação

Época de Colheita

Parte

Utilizada

Forma de Uso

Açafrão

Não

argiloso

Ano todo

Rizomas,

estacas de

rizoma,

em viveiro

Seis meses

após plantio

Rizoma

Chá (infusão),

gargarejo,

compressa,

bochecho

Alecrim

Bem

drenado,

não ácido

Chuvas

(outubro)

Sementes ou

estacas em

 viveiros

Após 1 a

1,5 anos

Folha

Chá (infusão),

banho,

bochecho,

gargarejo, compressa

Alfavaca

Corrigido

quanto a

acidez

Ano todo

Sementes ou

estacas de

galho em

viveiro

Seis meses

após plantio

Folhas

Chá (infusão),

banho,

bochecho,

gargarejo,

compressa

Anador

Não

exigente

Ano todo

Sementes,

estacas de

galho, em

viveiro

Seis meses

após plantio

Folhas

Xarope,

infusão

Babosa

Evitar solos

mal drenados, solos leves e arenosos

Chuvas

(outubro) em

Mato Grosso

Brotos

direto

no campo

A partir do 1°

 ano, o ano

 todo, só as

 folhas

 crescidas

Folhas

(suco)

Maceração, cataplasma, compressa,

pó da folha

Boldo

Leves,

secos e

bem

drenados

Chuvas

(outubro) em

Mato Grosso

Estacas de

 galho,

em viveiro

Quando a

planta

estiver

cheia, na

medida da

necessidade

Folha

Infusão,

maceração

Capim

limão

Todo tipo

Ano todo

Divisão de

 touceiras

Quarto

mês

após

planto,

duas vezes

 ao ano

Folha,

rizoma

Infusão

Erva

cidreira

Não

exigente

Chuvas

(outubro) em

Mato Grosso

Estacas

 em viveiro

Quatro

meses

após

plantio

Folha

Infusão,

inalação

Erva de

Santa

Maria

Todo tipo

Ano todo

No campo,

por sementes

Quatro

 meses

após

plantio

Ramos

Sumo da folha,

compressa,

chá,

cataplasma,

repelente

Guaco

Solo com

bom teor de matéria orgânica

Ano todo

Estaca de

folhas,

 mergulhia

Seis

meses

Folhas

Infusão,

xarope

Hortelã

vick

Solo rico

em matéria orgânica

Ano todo

Estaca de

galho ou

divisão de

 touceira

Três

 meses

Parte

 aérea

Infusão,

inalação,

compressa,

banho

Hortelã rasteira

Melhor

úmido e

argiloso

Ano todo

Estacas

em viveiro

Três

meses

Parte

aérea

Infusão,

folhas frescas

Maracujá

Solo

corrigido de acordo com análise, argiloso

Épocas

chuvosas

Sementes

Um

ano

Folhas

Suco do fruto,

infusão das

folhas

Poejo

Mais orgânico

e com boa

retenção de

umidade

Ano todo

Estaca de

ramo em

viveiro

Três

meses

Parte

aérea

Chá

Quebra

 pedra

Solo úmido,

bem drenado

Ano todo

Sementes

ou muda

 coletada

no mato

Quatro

meses

Parte

aérea

Chá

Romã

Todo tipo

Ano todo

Sementes em viveiro

Dois a

três anos

Frutos

Decocção

casca do fruto,

 bochecho, gargarejo

Tanchagem

Úmido

Ano todo

Sementes em viveiro

Quatro

 meses

Folhas

Banho, c

ALFAVACA

ALFAVACA

POEJO

POEJO

QUEBRA-PEDRA

QUEBRA-PEDRA

GUACO

GUACO

  1. 4.                COLETA DAS PLANTAS MEDICINAIS

Existe um momento certo para a colheita que varia de espécie para espécie de planta. Este momento tem variações estacionais (época do ano) e diárias.

A colheita não deve ser feita com as partes sobre as águas, por exemplo: com o orvalho da manhã e nunca em dia nublado ou chuvoso. Se a planta estiver muito suja, limpe-a um dia antes da coleta. Cada parte da planta, com raras exceções, obedece à seguinte regra para coleta:

- Coletar em dias secos e ensolarados;

- Evitar retirada de todas as folhas de um ramo;

- Para as raízes, procurar as mais próximas da superfície. Em algumas espécies, onde há o uso da raiz, a parte aérea murcha na época adequada à colheita, por exemplo, curcuma;

- As partes aéreas devem ser colhidas pela manhã (após secar o orvalho) e as raízes no final da tarde;

- Parte aérea da planta – a planta deve ser colhida em início de florescimento, quando algumas flores já estiverem abertas, mas a maioria ainda estiver em botão;

- Caules lenhosos – quando perdem as folhas, no inverno ou outono;

- Flores e sumidades florais – inicio da floração, antes que se abram totalmente, exemplos: manjericões e boldo da terra. Devem-se retirar as flores para aumentar a massa foliar;

- Frutos – maduros, alguns quando verdes;

- Sementes – início da queda de algumas sementes, quando estiverem bem maduras;

- Cascas do caule – antes da planta brotar, primavera;

- Raízes, rizomas, tubérculos, bulbos – fim outono, início da primavera, quando a planta não está vegetando, o seu metabolismo é mais lento ou dormente e as substâncias produzidas pela parte aérea está armazenada na raiz;

-Folhas – sem o pecíolo, início da formação de flores.

-Plantas herbáceas – na altura das primeiras folhas

A chuva influencia os teores de princípios ativos contidos nas plantas. Após uma chuva a quantidade de alcalóides diminui e a de óleos essenciais aumenta. Após períodos de estiagem a quantidade de óleos essenciais diminui.

Conforme o período do dia, o teor de princípios ativos varia, os glicosídeos atingem sua maior concentração na parte da tarde, e os óleos essenciais por volta do meio-dia. Exceção é a camomila que atinge uma maior quantidade e melhor qualidade de óleo à noite.

Para as plantas aromáticas, a colheita é feita no início da floração, por apresentarem maior teor de óleo essencial;

Em nosso clima é fundamental observar o comportamento das espécies medicinais em relação ao período chuvoso e ao período de estiagem.

TANCHAGEM

TANCHAGEM

  1. 5.     PREPARO DA SEMENTEIRA

 

5.1 . Sementeira

Pode ser feita em caixas, caixotes, bandejas de isopor (72, 128, 200, 162 células), vasos, sacos plásticos, embalagens de UHT ou garrafas PET, entre outros.

Pode ser semeada a lanço ou em linhas, com cobertura de terra ou não, dependendo do tamanho das sementes e das características de cada planta. Na construção das sementeiras, devem ser adotados os mesmos procedimentos utilizados para os canteiros. É recomendável fazer uma cobertura (jirau) para proteger as sementes de predadores, como pássaros e roedores. A cobertura pode ser feita com folhas de capim, de coqueiro, de bananeira ou sombrite, entre outros. Outra forma de proteção é fincar estacas nas bordas e fazer um trançado de barbante. Manter a sementeira em estufa também oferece proteção.

SEMENTEIRA

SEMENTEIRA

SEMENTEIRA

SEMENTEIRA

COPINHO DE PLASTICO

COPINHO DE PLASTICO

5.2. Bandeja de isopor

Composta por diversas células, ou seja, por orifícios preenchidos com o substrato (solo, palha de arroz queimada, areia e composto orgânico ou esterco curtido, substrato comercial, húmus de minhoca e compostagem, dentre outros, todos peneirados e livres de ervas invasoras).

Utilizada tanto para o semeio quanto para o enraizamento de estacas. As bandejas podem ser parcialmente sombreadas para aumentar a sua durabilidade.

 Vantagens:

- Facilidade no manuseio.

- Possibilidade de reutilização após desinfecção e lavagem (hipoclorito de sódio diluído em água), evitando contaminações na cultura.

- Maior número de mudas por espaço.

- Reduz a necessidade de mão-de-obra e materiais, pois as mudas podem ser plantadas diretamente no local definitivo.

- Dispensa capina e retém a umidade.

- Exige pouca quantidade de substrato.

- Permite o desenvolvimento das mudas que, ao serem transplantadas, mantêm o torrão com raízes, mantendo a planta intacta.

BANDEJA DE ISOPOR

BANDEJA DE ISOPOR

5.3. Transplante

É a transferência da muda dos recipientes ou da sementeira para o local definitivo.

- Deve ser realizado pela manhã, quando a temperatura está amena, ou em dias nublados ou à tarde, para que a planta não morra.

- Um dia antes do transplante não se deve irrigar a planta para facilitar a adaptação da muda ao local definitivo.

- A planta deve ser transplantada quando atingir de 10 a 15 cm de altura e apresentar de 4 a 6 folhas definitivas.

- Após o transplante, irrigar a planta.

- Eliminar os recipientes (sacos plásticos, vasos, bandeja de isopor, entre outros) antes de colocar a planta no local definitivo.

- A cova deve manter a mesma altura que a planta tinha na sementeira ou no recipiente.

- Algumas espécies não toleram o transplante, por isso devem ser semeadas em local definitivo.

PRODUÇÃO DE MUDAS EM CASCA DE OVO PARA TRANSPLANTE

PRODUÇÃO DE MUDAS EM CASCA DE OVO PARA TRANSPLANTE

5.4. Cálculo

A) Número de mudas

Exemplo:

Planta: hortelã

Área total: 1 há (10.000 m2)

Espaçamento: 0,40m x 0,30m

Nº de mudas necessárias: 10.000 m2 = 84.000 (0,40m x 0,30m)

É preciso produzir ou adquirir mudas em número pouco maior que o calculado para prevenir eventuais perdas. Assim, aconselha-se acrescentar mais 20% ai número obtida. Assim, 84.000 (mudas) x 20% = 16.800

B) Quantidade de sementes:

Exemplo:

Planta: hortelã

Área total: 1 há (10.000 m2)

Espaçamento: 0,40m x 0,30m

Nº de sementes por grama: 15.000

Área que cada planta ocupa = 0,40m x 0,30m = 0,12 m2

Nº de mudas = 10.000 m2 / 0,12 = 84000 mudas

Quantidade de sementes = nº de mudas / nº de sementes por grama = 84.000 / 15.000 = 6 gramas

  1. 6.      LOCAIS PARA O TRANSPLANTIO

 6.1. Canteiro

É o local onde se plantam as mudas transplantadas das sementeiras. Os canteiros podem ser de alvenaria, pedras ou de materiais retirados da própria região, como madeiras e varas, entre outros. O tamanho dependerá do número de plantas a serem transplantadas e do tamanho do terreno. Geralmente, possuem 1m de largura por 0,20m de altura e 5m de comprimento; a distância entre os canteiros deve ser de pelo menos 1m para facilitar os

tratos culturais.

 

CANTEIRO

CANTEIRO

6.2. Covas

Largura e profundidade devem ser de acordo com o tamanho da planta.

- Devem ser preparadas com antecedência.

- Se houver a necessidade de corrigir o pH do solo, recomenda-se aplicar calagem com aproximadamente um mês de antecedência do plantio.

- O espaçamento linha x plantas varia de acordo com cada espécie (Quadro 2).

- Ao cavar, separe a terra de cima da terra de baixo.

- Encha as covas misturando a terra de cima com o adubo orgânico, cuja quantidade varia de acordo com a análise do solo, e complete com a terra de baixo.

- Aguar diariamente até o dia do plantio. Cobrir a planta com cobertura morta para manter a umidade e evitar o crescimento de ervas invasoras e erosão. Também serve como adubo orgânico e repelente de insetos.

6.3. Semeadura direta

É feita no local definitivo quando a planta não requer cuidados especiais. Exige bom preparo do solo. A semeadura pode ser feita a lanço ou em linhas. O tamanho da semente é que irá determinar a melhor forma de semeadura, manual ou com equipamentos.

 

  1. 7.      RECOMENDAÇÕES PARA PLANTIO

 Necessidades de sementes de plantas medicinais para o plantio.

Nome comum

Espaç.

(cm)

Número de

sementes

Necessid.

(g/1.000m2)

Nº de dias de

germinação

Tipo de

solo

Época de semeadura

Ciclo (dias)

Alecrim

120 x 90

750

6

7

Seco, textura média, bem drenado

Outono/

primavera

90 no verão

Arruda

50 x 40

550

40

7

Levemente alcalino, textura grossa (arenoso)

Todo o ano

90 no verão

Camomila

30 x 20

5.300

15

7

Rico em material orgânico e levemente úmido

Todo o ano

90 no verão

Erva-doce/ funcho doce

50 x 20

390

100

7

Leve, bem drenado, fértil e bem destrroado

Outono/

primavera

80 no verão

Hortelã/ menta

40 x 30

15.000

3

14

Arenoso, argiloso fértil e bem drenado

Todo o ano

90 no verão

Manjericão/ alfavaca/ basilicão

30 x 30

650

70

4

Fertil e permeável

Primavera

60 no verão

Manjerona

30 x 20

4.700

15

7

Leve, rico em matéria orgânica e bem drenado

Todo o ano

60 no verão

Manjericão/ alfavaca/ basilicão vermelho

30 x 30

650

70

4

Fértil e permeavel

Primavera

60 no verão

Melissa/ erva cidreira

40 x 30

1.650

20

7

Rico em matéria orgânica, levemente úmido

Clima frio- primavera

Ameno- outono

90 no verão

Orégano verdadeiro

50 x 30

9.000

3

7

Levemente alcalino e permeável

Todo o ano

80 no verão

 

CAMOMILA

CAMOMILA

ERVA-DOCE

ERVA-DOCE

MANJERONA

MANJERONA

Quadro informativo sobre cultivo, colheita e propagação das plantas medicinais.

Nome Comum

Propagação

Espaçamento

(m)

Colheita

Porte

(m)

Alecrim

estacas

1,2 x 0,9

1 ano

1,0

Alecrim Pimenta

estacas

1,5 x 1,2

1 ano

1,5

Calêndula

sementes

0,2 x 0,2

3 meses

0,5

Confrei

Divisão touceira

0,6 x 0,6

3 meses

0,6 a 1,5

Chapéu-de-couro

sementes

0,2 x 0,2

3 meses

0,5

Quebra- pedra

sementes

0,2 x 0,2

3 meses

rasteiro

Poejo

Rizoma/estacas

0,3 x 0,3

3 meses

Rasteiro

Mil-folhas

rebentos

0,5 x 0,3

4 meses

0,5

Tanchagem

sementes

0,3 x 0,3

3 meses

0,4

Guaco

estacas

3,0 x 2,5

6 meses

Trepadeira

Artemísia

sementes

0,3 x 0,3

florescimento

0,5

Agrião

Rizoma/sementes

0,3 x 0,3

3 meses

Hortelã

Rizoma/estacas

0,3 x 0,3

3 meses

Rasteiro

Boldo

estacas

3,0 x 2,0

4 meses

2,5

Capim-santo

Divisão touceira

1,0 x 0,4

3 meses

0,5

Erva de santa-maria

sementes

0,5 x 0,5

6 meses

0,8

Folha da fortuna

folhas

0,5 x 0,5

6 meses

0,6 a 1,0

Funcho

sementes

0,3 x 0,3

3 a 4 meses

0,8

Gengibre

rizoma

0,5 x 0,5

8 a 10 meses

0,9 a 1,2

Maracujá

sementes

5,0 x 3,0

1 ano

trepadeira

Mentrasto

sementes

0,3 x 0,3

 3 meses

0,5

Orégano

Sementes/estacas

0,6 x 0,3

1 ano

0,3

Camomila

sementes

0,5 x 0,15

4 a 6 meses

0,4

Tomilho

Sementes/estaca

0,6 x 0,3

18 meses

0,3

Carqueja

Sementes/estacas

0,5 x 0,3

 5 meses

0,6

Alho

bulbilhos

0,25 x 0,10

4 a 5 meses

0,3 a 0,4

Erva cidreira

Semente/estacas

1,0 x 0,5

6 meses

1,0

CALÊNDULA

CALÊNDULA

CARQUEJA

CARQUEJA

ARTEMÍSIA

ARTEMÍSIA

BORRAGEM

BORRAGEM

COLÔNIA

COLÔNIA

CONFREI

CONFREI

FUNCHO

FUNCHO

SABUGUEIRO

SABUGUEIRO

SÁLVIA

SÁLVIA

  1. 8.                 COLHEITA E PROCESSAMENTO

 8.1. Colheita

Existe um momento certo para a colheita que varia de espécie para espécie de planta. Este momento tem variações estacionais (época do ano) e diárias.

A colheita não deve ser feita com as partes sobre as águas, por exemplo: com o orvalho da manhã e nunca em dia nublado ou chuvoso. Se a planta estiver muito suja, limpe-a um dia antes da coleta. Cada parte da planta, com raras exceções, obedece à seguinte regra para coleta:

- Coletar em dias secos e ensolarados;

- Evitar retirada de todas as folhas de um ramo;

- Para as raízes, procurar as mais próximas da superfície. Em algumas espécies, onde há o uso da raiz, a parte aérea murcha na época adequada à colheita, por exemplo, curcuma;

- As partes aéreas devem ser colhidas pela manhã (após secar o orvalho) e as raízes no final da tarde;

- Parte aérea da planta – a planta deve ser colhida em início de florescimento, quando algumas flores já estiverem abertas, mas a maioria ainda estiver em botão;

- Caules lenhosos – quando perdem as folhas, no inverno ou outono;

- Flores e sumidades florais – inicio da floração, antes que se abram totalmente, exemplos: manjericões e boldo da terra. Devem-se retirar as flores para aumentar a massa foliar;

- Frutos – maduros, alguns quando verdes;

- Sementes – início da queda de algumas sementes, quando estiverem bem maduras;

- Cascas do caule – antes da planta brotar, primavera;

- Raízes, rizomas, tubérculos, bulbos – fim outono, início da primavera, quando a planta não está vegetando, o seu metabolismo é mais lento ou dormente e as substâncias produzidas pela parte aérea está armazenada na raiz;

- Folhas – sem o pecíolo, início da formação de flores.

- Plantas herbáceas – na altura das primeiras folhas

Não devem ser coletadas plantas que receberam aplicação de agrotóxicos, nem tampouco coletas feitas à beira de córregos, represas ou lagos que estejam recebendo descarga de poluentes.

A chuva influencia os teores de princípios ativos contidos nas plantas. Após uma chuva a quantidade de alcalóides diminui e a de óleos essenciais aumenta. Após períodos de estiagem a quantidade de óleos essenciais diminui.

Conforme o período do dia, o teor de princípios ativos varia, os glicosídeos atingem sua maior concentração na parte da tarde, e os óleos essenciais por volta do meio-dia. Exceção é a camomila que atinge uma maior quantidade e melhor qualidade de óleo à noite.

Para as plantas aromáticas, a colheita é feita no início da floração, por apresentarem maior teor de óleo essencial;

Em nosso clima é fundamental observar o comportamento das espécies medicinais em relação ao período chuvoso e ao período de estiagem.

Existem alguns aspectos práticos que deveremos levar em consideração, no processo de colheita de algumas espécies. Na melissa cortamos seus ramos e não somente colhemos suas folhas, desta forma conseguimos uma produção em torno de 3 t/ha de matéria seca, em cortes, que são efetuados no verão e outono.

No poejo, temos que ser cuidadosos, pois é uma erva rasteira. Com essa característica, poderá trazer-nos prejuízos pela contaminação do material, que sendo colhido muito próximo do solo, terá muitas impurezas. Produz aproximadamente 2 t/ha de matéria seca em três cortes anuais.

No boldo (Necroton) devemos colher somente as folhas, com bom estádio de desenvolvimento. Desidratadas produzem cerca de 2,5 t/ha.

Na carqueja devemos cortar totalmente sua parte herbácea, respeitando dois nós acima da superfície do solo. Esse procedimento favorecerá posteriormente a rebrota das plantas. Produz cerca de 2 t/ha de planta seca, em duas a três colheitas por ano. O ponto ideal é no início da floração.

No capim limão fazemos também o corte total, e procedemos como a colheita da carqueja. Devemos eliminar as folhas doentes, com manchas ou secas, que são inadequadas para o beneficiamento. Produz cerca de 3 t/ha de matéria seca em dois cortes por ano.

No quebra-pedra, colhermos a planta inteira. Suas raízes podem ser lavadas em água limpa. Produz cerca de 3 t/ha de matéria seca em duas safras anuais.

Na camomila colhemos as flores em várias passadas. Devem apresentar seus capítulos florais completos. Sua produção varia em torno de 600 a 800 kg/ha de flores secas, em uma única safra.

 Parte utilizada – Ponto de colheita

Flores - No início da floração (abertas)

Folhas e caules – Antes do florescimento

Planta inteira – No início da floração

Casca e entrecasca – Quando a planta estiver florida

Raízes e rizomas – Quando a planta estiver adulta

Sementes e frutos – Quando maduros

Plantas aromáticas – Deve ser feita no final da tarde ou no início da manhã, de acordo com cada espécie para evitar perda de princípios voláteis.

COLHEITA

COLHEITA

8.2.            Secagem

A)               Pós-colheita:

Tem por finalidade reduzir a ação das enzimas pela desidratação, permitindo a conservação das plantas por período maior. O processo de secagem deve ser iniciado no mesmo dia da colheita. O local deve ser bem ventilado, protegido de poeira e de ataque de insetos e de outros animais. As temperaturas de secagem em estufas com ventilação, em geral, devem ficar entre 20º e 40ºC (galhos floridos, folhas e flores) e entre 50º e 60ºC (cascas e raízes).

Etapa crucial para se ter uma boa quantidade e qualidade de princípio ativo. Deve-se:

- eliminar outras plantas que se misturem às desejadas;

- escolher as partes vistosas, limpas, inteiras, que não estão atacadas por pragas;

- evitar que as partes colhidas fiquem sujas de terra;

- verificar se não há larvas e insetos;

- não apertar ou machucar a planta, evitando assim que ela murche;

- ter cuidado com as plantas tóxicas, a toxicidade pode ocorrer por contato;

- dividir ao máximo a planta em pedaços pequenos e homogêneos;

- colocar o material em local sombreado e arejado;

- evitar o revolvimento das camadas de folhas e flores;

- evitar a contaminação pela poeira;

- secar o mais rapidamente possível.

É necessário realizar o mais breve possível para que não haja muita perda de princípios ativos.

As perdas de princípios ativos se devem a várias razões, além da degradação por processos metabólicos como a respiração, outros fatores como a hidrólise, a decomposição pela luz, decomposição enzimática, a oxidação, a fermentação, o calor, a volatilização dos óleos e a contaminação por fungos e bactérias devem ser considerados. Retirando-se a água das plantas estes processos cessam, por isso procede-se à secagem, que pode ser:

Secagem natural - processo lento, feito à sombra, local ventilado, sem poeira e livre de insetos e outros animais. Os ramos longos podem ser amarrados em pequenos maços e pendurados em varal não muito próximo uns dos outros. Podem ainda ser utilizadas bandejas com lateral de madeira e fundo telado, onde o material é espalhado em finas camadas permitindo a circulação do ar. Ou ainda, cobrir com papel de embrulho o fundo de uma bandeja qualquer, espalhar o material, deixar secar revolvendo se necessário.

As raízes e ramos devem ser picados em pedaços antes da secagem. Este tipo de secagem só é viável em regiões onde a umidade é baixa, mostrando assim que algumas regiões permitem a secagem natural somente em certas épocas do ano, não chuvosas.

SECAGEM

SECAGEM NATURAL

Secagem ao sol - provoca perda de óleos essenciais e ocorre o endurecimento da camada superficial da célula, havendo retenção de água no interior do vegetal, além de descolorir a planta.

SECAGEM AO SOL

SECAGEM AO SOL

Secagem artificial - compreende dois tipos de secagem:

- secadores de temperatura e umidade controlada, são as estufas (manejo feito por um termômetro e por um higrômetro dentro da estufa). A temperatura utilizada varia de 35 a 45ºC, temperatura alta danifica os órgãos vegetais e seu conteúdo. É recomendada para locais de clima frio e chuvoso.

- secadores especiais – utilizam métodos especiais para determinadas espécies vegetais. Um exemplo caseiro seria a utilização do forno microondas, onde as folhas mais suculentas levam cerca de 3 minutos, na secagem e as ervas com folhas pequenas, mais secas, levam apenas 1 minuto. Preserva a cor e o aroma.

A temperatura ideal de secagem varia de acordo com a planta e o seu princípio ativo, de uma maneira geral plantas com óleos essenciais até 45ºC; plantas com mucilagem, goma e resina até 80ºC, plantas com alcalóides até 80ºC.

SECAGEM

SECAGEM

8.3. Armazenamento e embalagem

O material está pronto para ser embalado e guardado quando começa a ficar levemente quebradiço. O teor de umidade ideal após a secagem deve ser de 5 a 10% para folhas e flores, para cascas e raízes esta umidade varia entre 12 e 20%. O período de armazenagem deve ser o menor possível, para reduzir as perdas de princípios ativos. Preferencialmente o local deve ser escuro, arejado e seco, sem acesso de insetos, roedores ou poeira.

O acondicionamento do material vai depender do volume produzido e do tempo que se pretende armazená-lo. Na literatura são encontradas recomendações aplicáveis a condições de clima temperado, como o uso de tonéis de madeira não aromática, que conservam o produto por muito tempo. Serão necessários estudos para avaliar os diversos tipos de embalagens e o período de conservação máximo.

Pequenas quantidades de plantas podem ser colocadas em potes de vidro ou sacos de polietileno ou polipropileno, que também parecem permitir boa conservação. O uso de sacos de juta tem sido utilizado em curto prazo. Em todos os casos não se recomenda colocar próximas às embalagens de espécies diferentes (principalmente as fortemente aromáticas) ou depositar diretamente sobre o piso (colocar sobre estrados próprios ou dependurar).

O material, antes de ser armazenado, deve ser inspecionado quanto à presença de insetos e fungos. Durante o armazenamento devem-se repetir com frequência tais inspeções. No caso de ataque recomenda-se eliminar o material, não se aconselha o expurgo das instalações em presença das ervas, uma vez que não existe registro, para plantas medicinais, dos produtos normalmente utilizados nestas operações.

ARMAZENAMENTO

ARMAZENAMENTO

Fontes: Plantas medicinais – coletânea de sabores

Boletim técnico 27 – Cultivo de plantas medicinais

Plantas medicinais e aromáticas

2 Comentários (+adicionar seu?)

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    abr 10, 2013 @ 00:55:38

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  2. Trackback: Plantas Medicinais | CasaGarden

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