CULTURA DO CAJUEIRO

1. ASPECTOS GERAIS

- A propagação do cajueiro, até recentemente, era feita basicamente por Semente, ou por estaquia, alporquia, enxertia. Quando feita a propagação por sementes a germinação ocorre entre 12 e 20 dias depois do plantio que pode ser direto no campo ou em viveiros. No Plantio direto utilizam-se duas sementes por cova, normalmente com 5 a 10 cm de profundidade;

- O cajueiro tem preferência a clima tropical, preferencialmente em locais com uma estação seca definida, planta de clima quente, as temperaturas entre 20º e 30º C, sensível ao frio e às geadas. O seu bom desempenho produtivo gira em torno de 27ºC, suportando bem temperaturas entre 33 a 35ºC, sendo bastante afetado por temperaturas abaixo de 16ºC, principalmente as plantas jovens.

- A classificação varietal do cajueiro 2 tipos: o cajueiro-comum e o cajueiro anão-precoce.

- A pluviosidade, pode-se considerar uma faixa de 800 a 1500 mm anuais, bem distribuída em 5 a 7 meses;

- O cajueiro é exigente em luz, não tolerando o sombreamento;

- Ter solos bem drenados ou acentuadamente drenado;

2. ESPAÇAMENTO

- Cajueiro comum: 7,5 m x 7,5 m, com desbastes na diagonal no 8º ano de vida do pomar, ficando então com espaçamento de 15,0 m x 10,6 m x 10,6 m, e tendo uma  necessidade de um novo desbaste, este poderá ser efetuado de modo a se obter um espaçamento final de 15,0 m x 15,0 m.

- Cajueiro anão precoce: mais indicados são: – 7,0 m x 7,0 m, nos sistemas quadrangular e triangular, com 204 e 236 plantas/ha, espectivamente.

- 8,0 m x 6,0 m, em sistema retangular, com 208 plantas/ha (favorece manejo de máquinas). – 7,0 m x 4,0 m, em sistema retangular, com 357 plantas/ha (necessidade de poda e desbastes).

3. TRATOS CULTURAIS

- Desbrota: Consiste na retirada das brotações laterais inferiores da planta, desenvolvidas no porta-enxerto, funciona, na prática, como uma poda de formação. A desbrota deve ser realizada logo após o período chuvoso, no primeiro ano do pomar.

– Poda: As podas visam manter a copa “transparente”, livre de galhos secos e praguejados e o mais compactada possível. A quase totalidade da floração e frutificação do cajueiro é periférica, principalmente nas laterais, concentrando-se nos 2/3 inferiores da copa da planta, tal hábito de produção torna extremamente necessário manter a planta limpa e com adequada iluminação.

- Controle de plantas daninhas: Na cultura do cajueiro, a principal atividade de manejo de solos é o combate às ervas daninhas, pois o rendimento da cultura é sensivelmente afetado pela competição do mato.

- Irrigação: reconhecidamente encarece os custos de produção, devendo somente ser utilizada em associação com outros insumos que potencializem o aumento do rendimento, principalmente a utilização de clones com potencial genético com alta produtividade e que facilitem o aproveitamento da castanha e do pedúnculo, associado com emprego da adubação química e o controle fitossanitário.

- Adubação: Para a formação de um pomar comercial com o emprego de técnicas adequadas de exploração na fruticultura, é recomendado o emprego de clones de cajueiro do tipo anão precoce e o seguinte esquema de adubação:

Primeiro ano: 150 gramas de superfosfato triplo e 50 gramas de cloreto de potássio em fundação, juntamente com matéria orgânica (10-20 litros de esterco de curral /cova) e uma cobertura com 100 gramas de uréia aos 30 a 60 dias após o plantio.

Segundo ano: 200 gramas de uréia, 300 gramas de superfosfato triplo e 100 gramas de cloreto de potássio por planta. Metade do nitrogênio e do potássio deve ser aplicada, juntamente com todo o fósforo no início das chuvas. A outra metade do nitrogênio e do potássio, em cobertura, após 3 meses da primeira aplicação.

Terceiro ano: 300 gramas de uréia, 450 gramas de superfosfato triplo e 150 gramas de cloreto de potássio, aplicados da mesma forma que no segundo ano. A partir do quarto ano, a adubação será em função das produções obtidas no ano anterior, o que dependerá de alguns fatores como clone explorado e o manejo do pomar.

- Pragas: mais importante é o fungo Glomerella cingulata, causador da Antracnose, a enfermidade mais difundida. Os levantamentos sistemáticos de pragas e inspeções realizadas periodicamente mostram a ocorrência de uma extensa gama de insetos e ácaros nessa Anacardiácea, alguns dos quais apresentando importância econômica em razão dos prejuízos que podem vir a acarretar se não forem habilmente controlados, os mais importantes são:

Broca das Pontas: afeta diretamente a produção, pois abre galerias nas pontas dos ramos e nas inflorescências, provocando sua murcha e secamento. Os inseticidas de contato como o mercabam, o fenitrothion e toxeno são os mais eficientes.

Larva do Broto Terminal: os danos causados por ela chegam a prejudicar seriamente as plantas especialmente as do cajueiros do tipo anão precoce. Tendo em vista a intensidade do ataque dessa larva nos cajueiros, estão sendo realizados testes nas condições de campo, visando verificar a eficiência de diferentes produtos químicos no seu controle.

Outras pragas que atacam os cajueirais, e que em determinadas regiões exigem monitoramento mais atento, para evitar que atinjam níveis de infestação economicamente prejudiciais: Mosca branca, besouro vermelho, tripes, pulgão da inflorescência, lagarta saia justa, entre outros.

- Doenças: A Antracnose, um fungo que ocorre durante o ano todo, com maior incidência na época da emissão de novas brotações. A doença torna-se particularmente severa em regiões de maior pluviosidade. A fim de controlar-se o fungo recomenda-se uma poda de limpeza, no fim do período chuvoso e antes do início do fluxo foliar, colhendo e queimando as partes mais afetadas. Esta prática é exeqüível com pomares de pequeno e médio porte.

O uso de fungicidas tem demonstrado eficiência no combate a antracnose do cajueiro, os fungicidas de melhor desempenho em trabalhos experimentais foram: benomyl, captapol, hidróxido de cobre, oxicloreto de cobre, propineb, captafol.

4. COLHEITA

A colheita do caju é inteiramente manual e está condicionada pelo objetivo fundamental da cultura. Quando o cajueiro é valorizado essencialmente pela castanha, a colheita se dá catando-se do solo, neste caso geralmente o pedúnculo é perdido. Nos locais onde o cajueiro é cultivado para o aproveitamento do pedúnculo, a colheita deve ser feita com bastante cuidado, por ser o pedúnculo pouco resistente a manipulações bruscas.

Quando o cajueiro é valorizado essencialmente pela castanha, a maturação do falso-fruto (pedúnculo) deve ultrapassar-se, o conjunto castanha pedúnculo cai e só então se faz a separação da castanha. Os pedúnculos, neste caso, tem que ser utilizado imediatamente como fruta fresca, matéria-prima para a indústria ou então ser seco rapidamente para poderem ser aproveitados ao longo do ano na alimentação animal. É conveniente efetuar-se a apanha duas a três vezes por semana.

Nos poucos locais onde o cajueiro é cultivado para o aproveitamento do pedúnculo, a colheita deve ser feita constante cuidado, por ser o caju uma fruta muito delicada, pois além de possuir um alto percentual de líquido em sua polpa, sua casca constitui-se de uma pele muito fina e pouco resistente à manipulações bruscas e excesso de peso, conspurcando-se e ferindo-se com facilidade.

5. RENDIMENTO

A produtividade para o Cajueiro Comum é de 900 kg/ha de castanha e 9 t/ha de frutos e para o Cajueiro Anão é de 1.300 kg/ha de castanha e 13 t/ha de frutos, ambos após estabilização da produção. A produção para cajueiro comum inicia entre o 3º e o 5º ano, já para o cajueiro anão precoce a produção inicia entre 10 a 18 meses.

Boletim Ténico III

VANDER MENDONÇA

vander@ufersa.edu.br

LUCIANA FREITAS DE MEDEIROS

fruticulturaufersa@yahoogrupos.com.br

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Leticia
    jun 05, 2012 @ 15:17:23

    umm… Isso é muito bom, quando eu era pequena eu sempre ia a fazenda do meu avô e chupava cajú!

    Resposta

  2. Costa
    mai 10, 2012 @ 18:08:59

    É muito bom e gostouso

    Resposta

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